Ponto e Vírgula
23 de fevereiro de 2018

O público e o privado de cada um

“Não faça na vida pública, o que você faz na privada”. A máxima pode até ser filosofia de botequim, mas diz muito sobre o comportamento esperado de quem é servidor público, pago com dinheiro do povo, para trabalhar em prol dele. E isso vale para simples funcionários e para agentes políticos: do vereador municipal ao presidente da República. A verdade mesmo é que cada um é livre para fazer o que quiser de suas vidas. Só não pode pensar que ficará livre também das consequências de seus atos.
O assunto da semana foi a prisão de Fabiano Lobot, funcionário da Câmara Municipal que, curtindo noitada nas férias, estacionou seu carro para um cochilo, justamente, no pátio da Polícia Militar. Só depois de ter sido abordado por militares e ter tentado fugir, ele identificou-se e apresentou-se com fortes sintomas de embriaguez conforme boletim de ocorrências. Como se não bastasse, ele não possui carteira de habilitação e nem permissão para dirigir. O servidor colocou a sua vida e a de outras pessoas em risco. Mais ainda, foi inconsequente ao não atender às primeiras ordens dos policiais para descer do carro e, ainda, ter tentado dar a partida no motor, no pátio da PM às 2h50 da madrugada. Crônica de novela...
Por si, o caso já seria passível de destaque na imprensa. Mas ganhou mais corpo por se tratar de um funcionário público municipal e que, após manifestação em sua página do Facebook, provocou reações diversas na casa onde é funcionário. O vereador Pastor Carlinhos cobrou medidas institucionais porque o servidor chegou a agradecer o apoio recebido do presidente Djalma Bastos, do vice, Leles Pontes e de outros vereadores, além de servidores. Ele apagou a postagem na última quarta-feira (22), dia em que o assunto estourou na Câmara. No entanto, a polêmica não foi evitada. Djalma e Leles afirmaram que deram apoio pessoal e negaram qualquer apoio em nome da Câmara de João Monlevade.
Errar é humano. E o próprio Fabiano disse que está arrependido e muito triste com o ocorrido. No entanto, dirigir embriagado e sem carteira de habilitação, é crime. Tanto, que o funcionário público foi detido e só liberado após pagar fiança de sete salários mínimos. Judicialmente, ele arcou com as consequências do que fez. Porém, a atitude de Fabiano, agora, será avaliada pela mesa diretora do Legislativo, após reunião com jurídico da casa.
Em tempos hipervigilantes de redes sociais, é preciso ficar atento com a emissão de opiniões e atitudes, mesmo em férias. Afinal, quando é mesmo que se separa o público e o privado na vida das pessoas? É possível mesmo essa separação? Emitir opiniões ou postar fotos, consideradas excessivas, em páginas pessoais, por exemplo, pode implicar consequências na vida profissional? A reflexão é válida para o momento. Que cada um pague o preço dos seus atos e escolhas na vida pública e também na vida privada.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação