Ponto e Vírgula
9 de fevereiro de 2018

O boom do bumbum

Nunca a música brasileira se encheu tanto de bumbuns. Nunca se mandou tanto sentar, rebolar, mexer... A verdade é que a bunda virou celebridade. Como ela tivesse vida própria, ela ocupa muitos espaços na música. Do funk ao sertanejo. Quase metade das músicas brasileiras mais ouvidas em plataformas digitais citam-na. E as referências vão desde as expressões tradicionais como “bunda”, “traseiro”, passando pelas populares, “popô”, “popozão”, até formas mais elaboradas como “arredondada arquitetura” e “ circunferência perfeita que tem medida certa para te enlouquecer”.
Quer queira, quer não, a fissura pela bunda sempre existiu no Brasil. Desde Cabral e os portugueses, olhando sem nenhuma vergonha, para as vergonhas das índias. Só que nunca esteve tão em evidência e nunca ganhou tanta força como nesse verão. Porém, para quem torce o nariz contra o tema, o poeta Carlos Drummond de Andrade também dedicou poemas para falar dela. “No corpo feminino, esse retiro – a doce bunda – é ainda o que prefiro”, afirmou o poeta categórico. Em outro, ele diz: “A bunda, que engraçada. Está sempre sorrindo, nunca é trágica.”  Poderia bem se encaixar numa letra do momento.
Falando em carnaval, a bunda reinará soberana em 2018. Seja nas canções do funk, do sertanejo ou mesmo na moda. Afinal, estamos na era dos shorts curtinhos, mostrando a polpa do bumbum e do biquíni sob shorts desabotoados e zíper abertos. Cada uma com a sua preferência, é claro.
Anitta, em seu estrondoso sucesso “Vai Malandra”, abre o clipe com um close em sua própria bunda. Flácida, balançando e saindo de um short vermelho. Anitta colocou na tela o retrato de muitas bundas brasileiras. Questão de marketing ou pura polêmica? Não importa. O clipe de “Vai Malandra” já foi visto quase 200 milhões de vezes... Que cada um curta a folia com alegria. Com ou sem bumbum de fora.