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Ponto e Vírgula
2 de fevereiro de 2018
Comunhão de bens
Aviso à turma do governo municipal que este texto não é para pegar no pé da prefeita Simone Carvalho (PSDB) e, muito menos, no do seu marido, Carlos Moreira. Na verdade, esse texto faz uma reflexão sobre um tema único: quem de fato governa João Monlevade?
Que a prefeita Simone foi eleita de forma legítima nas urnas, isso é inegável. É ela quem foi diplomada e tomou posse. É ela quem assina os despachos municipais. E é ela quem aparece no material informativo da prefeitura, sempre sob a frase “a prefeita Simone determinou que tal serviço fosse feito”. “Após se reunir com moradores, a prefeita Simone determinou isso ou aquilo”. Sempre li com desconfiança essas informações e nunca o A Notícia as publicou dessa forma. Até porque, óbvio ululante, é a prefeita quem determina o funcionamento da máquina municipal. Não precisa estar escrito na comunicação oficial, como se reforçasse a imagem de quem deveria mandar.
Mas a sombra do ex-prefeito Carlos Moreira no governo municipal paira no ar e deixa dúvidas quanto à autonomia da prefeita Simone. Ele participa livremente de reuniões com servidores, inclusive, com direito à fala. É ele quem senta à cabeceira das mesas e, quer queira ou não, aparece mais que a prefeita e o vice, Fabrício Lopes (PMDB). Esse, aliás, não é tão bem aproveitado pelo governo como gostaria e nem como merecia.
A presença do ex-prefeito Moreira é tamanha que, muitas vezes, servidores e vereadores se dirigem rotineiramente a ele, antes até de falar com a prefeita Simone. Carlos só não vai à prefeitura. Até porque, isso já seria demais. Mas visita setores e departamentos. A verdade é que Carlos Moreira não deixa Simone brilhar.
Claro que, como marido da chefe do Executivo, o ex-prefeito Moreira pode dar dicas e discutir com a esposa, os rumos da administração. Prefeito por dois mandatos e com vasta experiência política, é óbvio que ele estaria presente na gestão da esposa. Só não se esperava que fosse tão direta e explícita essa atuação.
Fato é que tem pegado muito mal para a prefeita Simone Carvalho, ter o marido sempre a tiracolo. Porque ele não age apenas como cônjuge, acompanhando-a em eventos ou reuniões. Não age apenas como consultor político, que dá conselhos e compartilha os saberes em prol do bom desenvolvimento do governo. Na verdade, ele age como se prefeito fosse e, sem pestanejar, acaba sendo o responsável pelas decisões políticas, acertadas ou não, da administração da esposa. Além de visitar obras, postos de saúde e usar o seu programa na rádio como porta voz do governo, o ex-prefeito parece estar inteiramente à vontade para determinar o que deve ou não ser feito.
Eu ainda torço para que, a partir deste segundo ano do mandato, a prefeita se assuma mais. E que a administração seja mais leve, com o jeito Simone e Fabrício de administrar. Inelegível por condenações na justiça, Carlos Moreira já teria muito que comemorar com a vitória da esposa. E, por ter sido condenado pela justiça, deveria ser mais discreto, além de incentivar a participação de Simone em eventos, reuniões e falar menos por ela, apesar de ser um comunicador nato. Não faz sentido, por exemplo, o assessor de Comunicação da Prefeitura dar entrevistas frequentes a Carlos Moreira, sobre ações da prefeita. Ela é quem deveria falar. De preferência, a outros locutores e em outros veículos de comunicação. Como prefeita de direito ao cargo para o qual foi eleita, ela é quem deveria aparecer mais. Eu ainda tenho esperança de que o mandato em comunhão de bens não vá adiante.
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