Você está em Opinião / ESPAÇO LIVRE /
Espaço Livre
17 de novembro de 2017
Cotidiano | O inimigo oculto
Ele está à sombra da sociedade, nos grandes jantares e também nas reuniões. Ele está nas portas das escolas, nos churrascos dos amigos, nas boates e confraternizações. Está em casa, na rua, na feira, na esquina, em todos os lugares, em diversos lares e parece invisível.
Ele é o álcool. Responsável pela maioria dos acidentes de trânsito, pelos homicídios e pela violência familiar. Mas ele não aparece como droga, pois seu consumo é liberado. Afinal de contas, beber não é pecado. Beber é uma maneira de se enturmar na adolescência, de perder a timidez, de se soltar. A indústria do álcool é muito poderosa, e por isso as leis são flexíveis e frágeis nesse segmento.
A bebida é uma das maiores feridas da sociedade, que fica estancada debaixo de posses e dos teatros diários dos alcoólatras. Uma latinha a mais, só mais uma dose, ou um dedinho de cachaça, parecem não ter relevância, mas não é nem assim. Representam estatísticas alarmantes.
Em 2016, os brasileiros consumiram mais álcool que a média mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No grupo das pessoas entre 20 e 39 anos, 25% das mortes têm uma relação direta com o álcool. Entre os jovens, o consumo começa cada vez mais cedo. Muitos buscam aceitação entre os colegas e também fogem dos conflitos familiares. No Brasil, não há uma licença especifica para a venda do álcool, como ocorre em vários outros países.
Enquanto isso, filhos crescem vendo suas mães sendo agredidas pelos companheiros alcoolizados, famílias se despedaçam, acidentes continuam acontecendo, todos os dias, e as estatísticas dos crimes ligados ao álcool só aumentam,
O governo combate, em ações constantes, o tabagismo e o consumo de outras drogas, como o crack e a maconha, mas não direciona uma atenção mais sólida em relação ao alcoolismo.
Até quando a sociedade vai considerar normal um jovem tomar um porre aos 13 anos? Uma menina chegar desmaiada no hospital, em coma alcoólico, após a balada? Um pai de família perder o emprego por causa do vício? Uma vida ser interrompida por um motorista alcoolizado? São perguntas sem respostas e, enquanto isso, muitas vidas são destruídas por esse inimigo oculto.

() Gabriela Gomes é publicitária e responsável pelo comercial do jornal A Noticia
LEIA TAMBÉM
 
Publicidade
Publicidade
31 3851-1791
Av. Rodrigues Alves, nº 78, República
João Monlevade/MG
NOTÍCIAS
OPINIÃO
OPINIÃO
SOCIAIS