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Papo Aberto
10 de novembro de 2017
Demagogia de gênero
Depois do circo demagógico e dos chiliques ensaiados protagonizados por alguns vereadores da Câmara Municipal de João Monlevade sobre a questão de ideologia de gênero nas escolas, eu só posso pedir, na medida exata de minha insignificância e ignorância, que os mesmos vão trabalhar ou plantar batatas, na incerteza do que será mais dispendioso.
Não vou aqui tecer teorias definitivas e professorais sobre o tema, por falta de espaço e de competência para tal, mas posso afirmar, com todas as letras, que qualquer ser humano que não se enquadre no padrão heterossexual estabelecido pela sociedade, seja “trans” ou de que gênero for, possui grandes chances de ter mais capacidade intelectual e caráter que qualquer político demagogo nesse país, daqueles que só pensam em votos, benefícios e no aconchego de seus privilégios.
Agora, para alguns, a família brasileira está ameaçada. Bom, nisso eu concordo, mas não pela opção sexual de quem quer que seja, mas pelo mal feito de grupelhos políticos que só pensam em seus umbigos. Até a Rede Globo de televisão, que é devidamente aplaudida quando expõe negativamente determinados políticos ou partidos rivais dos bons samaritanos, foi demonizada. O interessante é que quando a emissora é nitidamente tendenciosa em vésperas de eleições ou em suas coberturas jornalísticas, tudo bem, porém, quando a autora de um folhetim apresenta a realidade de uma sociedade que se transmuta, de acordo com os avanços de uma nova era que, inclusive, necessita de tolerância e de luta por igualdades, os reacionários caçadores de votos se enfurecem.
Pois lhes envio uma sugestão, desde aos mais esclarecidos, que respeito por outros posicionamentos, aos mais obtusos e patéticos: nas próximas eleições, façam uma campanha ostensiva contra o voto de gays, lésbicas, transexuais, travestis, drag queens, bissexuais e afins e não aceitem, de forma alguma, os votos destes. Dispensem publicamente o voto de todo e qualquer cidadão que se enquadre nesses gêneros e aceitem apenas os de heterossexuais que ajudam a formar a tradicional família brasileira.
Mas a questão é que essa mesma família não está precisando de opiniões retrógadas e que fomentem o preconceito. Ela precisa é de representantes que pensem nela, com projetos e iniciativas baseadas apenas em boa fé.
() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia
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