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Ponto e Vírgula
29 de setembro de 2017
Em construção
Erivelton Braz

Não estamos prontos. Nunca estivemos e, verdade seja dita: nunca estaremos. Isso significa que como homens, estamos sempre aprendendo. Claro que a máxima só vale para aqueles que têm o pensamento aberto e sabem, como Belchior, que “o novo sempre vem”. Para outros tantos, o que prevalece é a chamada síndrome de Gabriela: eu nasci assim, eu cresci assim e não mudo. Desses, eu tenho pena. E lamento. Lamento por que, quem fecha os olhos e o pensamento para a novidade, já está perdido nesse século da comunicação, interação e constantes novidades. Por isso, acredito que o homem não está pronto. E precisa, portanto, absorver o que chega num piscar de olhos, o tempo todo.
Porém, tenho tido motivos de sobra para contradizer-me. Infelizmente, o que tenho visto por aí é a certeza cada vez maior dos que se acham donos da razão. O cancelamento de uma exposição de diversidade sexual em Porto Alegre, recentemente, prova que nunca estivemos tão caretas. O mesmo acontece agora, quando a Justiça Federal do Distrito Federal permite a psicólogos tratar gays, lésbicas e bissexuais como doentes. Além disso, há ainda aqueles que defendem o militarismo como única opção para salvar o Brasil... Minha gente, ditaduras nunca mais. Devemos defender a liberdade e dias melhores, com um posicionamento mais crítico contra tudo o que oprime.
Tento, diariamente, aprimorar conhecimentos. Ouvir, ler e tentar entender esse mundo. Não creio em certezas absolutas e tenho medo dos que não mudam nunca de opinião. Afinal, tudo muda o tempo todo no mundo. Essa talvez seja a única verdade em que acredito. Por isso, afirmo que não quero estar pronto. Nunca. Porque é preciso estar em construção, enxergando o mundo com a transitoriedade que ele possui.
O momento é de trabalharmos a tolerância, que anda em baixa. Essa talvez seja a principal prerrogativa para compreender as diferenças desse mundo. Falando nisso, o mundo se apequenou e não tem mais barreiras. A comunicação mudou, a distâncias acabaram e tem gente que acha mesmo que nada aconteceu. Que estejamos em construção. Porque nada é tão definitivo quanto a ignorância e a bestialidade humana. E, dessas, devemos manter distância.

Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação
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