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8 de setembro de 2017
OLHARES: Estamos em crise
Larissa Cristina Velloso Dias – Interina

“Estamos em Crise”, leu Dona Ângela na manchete em destaque do jornal. Não deu atenção. Pra quê? Era provavelmente mais um escândalo envolvendo corrupção da classe política brasileira e, como Dona Ângela é uma dessas pessoas que dizem ter nojo de política, nem se deu o trabalho de ler a notícia. É, Dona Ângela... Não só de política vivem as crises, viu? Elas existem das mais variadas formas, atendem a todos os gostos. É crise econômica, humanitária, educacional, hídrica, convulsiva, existencial e tantas outras que seria preciso o tempo de uma vida para listar todos os tipos.
Se o jornal que a Dona Ângela compra toda manhã no caminho da padaria fosse escrito por mim, certamente, teria o mesmo título. A diferença é que eu pouco sei sobre política, não me sinto suficientemente bem informada para escrever uma manchete exclusivamente sobre essa doença que fragiliza cada vez mais nosso país a corrupção. Não, eu falaria sobre um assunto que me possibilitaria escrever com propriedade e não há mais nada no mundo que eu conheça melhor do que palavras, ou melhor, a crise dos seus sentidos.
Crise? No sentido das palavras? E isso existe? Existe sim, “Donas Ângelas” do meu Brasil. Acho, inclusive, que uma das expressões mais injustiçadas do nosso cotidiano é o “Bom dia”. Se analisarmos criticamente essas duas palavrinhas, veremos que elas, teoricamente, deveriam ser usadas quando alguém, cheio de amor pelo seu próximo, deseja a ele que tenha um dia bom. E “bom”, nesse caso, varia de pessoa para pessoa, de acordo com a subjetividade de cada um sobre o que é bom.
A verdade, porém, é que quase nunca o velho e simpático “bom dia” é usado nesse contexto. Até ouso falar que ele sequer é usado. Durante nossas vidas corridas, abarrotadas de reuniões, prazos, exigências e individualidades, muitas vezes esquecemos que as palavras têm poderes e que seus significados vão além do que encontramos no dicionário. “Quais são as palavrinhas mágicas?”, perguntava a professora do primeiro ano que ouvia em uníssono a resposta da turma “Obrigado, por favor, com licença e por nada”. Hoje, acrescento ao elenco das palavrinhas mágicas “Bom dia”.
Como foi que permitimos tamanho esvaziamento de sentimento na expressão que quase sempre é a primeira coisa que ouvimos ao acordar? Como foi que uma fala que deveria ser regada de amor e boas energias tornou-se dispensável e oca? Eu não sei como nos deixamos chegar a este ponto, mas sei que falhamos. Senhoras e senhores, nós falhamos. Sugiro então, que busquemos uma maneira de nos redimir e dar a volta por cima nessa crise. Coloca um sorriso nesse rosto, Dona Ângela E dê um bom dia cheio de afeto para o Sol, para o vizinho para a vida

Larissa Cristina Velloso Dias é estudante do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Cerp
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