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Ponto e Vírgula
8 de setembro de 2017
Independa-se ou morra
ERIVELTON BRAZ

Independência ou morte, disse Dom Pedro em 1822 e o brado que retumbou, há 195 anos, parece novamente preso à garganta. Entalado, como a cachaça e a fumaça que a gente tem que engolir. Deus lhe pague?
Procuramos independência da pátria mãe distraída e subtraída em milhões, guardados em caixas, malas e sacos de dinheiro. Queremos a independência de um sistema político que tem o paradoxo estranho de detestarmos os representantes que só nos representam porque foram, justamente, eleitos por nós. A democracia é isso, incongruente. “O pior dos regimes políticos, mas que não há nenhum sistema melhor que ela”. Churchill tinha razão.
Apesar da independência política de Portugal, não conseguimos a independência dos sentimentos referentes ao “novo mundo”, a terra brazilis, que os colonizadores tinham daqui: lugar para enriquecer a qualquer custo. Uma terra de ninguém.
Quando ficaremos independentes da imagem resplandecente de quinto dos infernos, para onde foram enviados os pulhas, canalhas, estupradores e ladrões? Como nos livrar do desejo de levar vantagem em tudo? Como nos livrar da imagem de balneário de prazer, onde garotas em puberdade recente vendem seus corpos para gringos e até mesmo outros brasileiros?
Precisamos da independência da desnutrição, da dengue, zica, da falta de hospitais. Independência ou morte das relações escusas para sugar dinheiro público, dos financiamentos de campanhas a troco de benesses futuras. Temos que ficar livres do tráfico de drogas, o pesado, que não atinge os ricos, os poderosos, os verdadeiros fornecedores e principais consumidores de pó, que chega de helicóptero em sítios de políticos e que, quem paga o pato é o pobre piloto.
Independência ou morte da política rasteira com seus puxa-sacos incompetentes, ocupantes de cargos públicos sem qualquer qualificação, para receber a paga por serviços prestados de anos de vassalagem.
Independência de tudo o que sempre fizeram com esse país. Independência de nossa procrastinação, do não nos importarmos, do “não tenho nada com isso”. Independência do que fizemos conosco.

Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação
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