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Papo Aberto
1 de setembro de 2017
Bombeiros ou gratificações
Luiz Ernesto

Inicio a coluna de hoje fazendo uma pergunta ao leitor: O que você prefere? Que a Prefeitura gaste cerca de R$ 40 mil por mês com gratificações a servidores públicos ou invista menos de R$ 4 mil mensais em uma unidade do Corpo de Bombeiros em João Monlevade?
Sem querer direcionar ou tentar adivinhar a resposta do leitor, que deduzo qual seja, acreditando em seu bom senso, fico com a vinda do Corpo de Bombeiros, claro. Por dois óbvios motivos. O primeiro é a importância indiscutível de um pelotão do Corpo de Bombeiros na cidade, já que sempre estamos às voltas com incêndios, queimadas e outros problemas que seriam prontamente resolvidos ou prevenidos com a presença da corporação no município. Não há o que se discutir.
Outro motivo é que sou terminantemente contra as famigeradas gratificações a funcionários públicos, seja aqui ou em qualquer outra cidade do planeta. É inadmissível que municípios que alegam crise econômica para tudo, “afaguem” com acréscimos em salários os servidores que, na maioria das vezes, são apadrinhados políticos e correligionários do poder, em detrimento ao verdadeiro merecimento. Em tempos de desemprego gritante, então, uma vaga concedida já é um prêmio, por si só, independente do valor do contracheque. Gratificação, para mim, é uma aberração.
E antes que alguém venha dizer que fui gratificado enquanto servidor público, assim como mal fez um vereador cuja única função é defender os mal feitos de seus chefes, reafirmo que, em nove anos atuando no serviço público, recebi o benefício por um único mês e, mesmo assim, sem saber da concessão e sendo informado através do contracheque. E assim que o recebi, pedi a anulação do benefício por não concordar com o mesmo, pouco antes de fazer melhor e pedir a própria demissão, por vários outros motivos.
Mas a questão apresentada aqui é mais importante e é sobre a discrepância entre duas situações e prioridades. Vamos refletir, enquanto cidadãos, se é mais importante para o município manter R$ 40 mil em gratificações salariais a “amigos” de campanha eleitoral ou destinar 10% disso, ou seja, R$ 4 mil, para um Corpo de Bombeiros atuar em João Monlevade. E não adianta os “cães de guarda” de plantão bradarem que o valor não procede e não seja os R$ 40 mil citados. Para mim, se fosse R$ 4 mil já era muito.
Com a palavra, a população.

Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia
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