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Ponto e Vírgula
21 de julho de 2017
Para sempre jovens
ERIVELTON BRAZ

O grande empresário Abílio Diniz, um dos homens mais ricos do país, segundo a Forbs, afirmou aos 80 anos, em ótima entrevista para o Estadão, que não é velho. “Somente, quando enchem o saco e eu digo: Pô, deixem o velhinho em paz...”. A afirmação de Abílio casa perfeitamente com uma matéria que li na revista Exame sobre o envelhecimento. Segundo a publicação, as pessoas estão vivendo melhor, continuam trabalhando após os 65 anos e sendo felizes, sem precisar, necessariamente, ir para os aposentos. Esse, inclusive, é o verdadeiro significado da palavra aposentadoria. A revista cita Mick Jagger, que aos 73 anos continua cantando Satisfaction, cujo refrão diz que ele não consegue se satisfazer. No contexto atual, a canção soa ainda mais rebelde do que há 52 anos, quando foi escrita. Lázaro Brandão, aos 90 anos, ainda preside o conselho de administração do Bradesco e dá a palavra final em todas as decisões relevantes do banco. Precisa prova maior de que o significado de velho mudou?
Hoje, os idosos estão trabalhando e longe do pijama. Muitos continuam economicamente ativos, às vezes, como chefes das famílias, custeando netos e filhos mais jovens que estão desempregados. Outros permanecem em suas empresas, dão palestras, consultorias ou desenvolvem novas aptidões com o tempo de folga: voltam a estudar, se especializam em algum assunto e vão seguindo a vida.
Fato é que, graças à medicina e aos suportes como academia, suplementos alimentares e à tecnologia, as pessoas estão cada vez menos velhas. Aliás, velho é aquilo que não serve mais. Portanto, o termo não deveria ser usado para pessoas. A pensadora Eclea Bosi escreveu o ótimo “Memória de Velhos”, obra na qual reflete sobre as condições dos idosos. Ela fala, inclusive, que a sociedade “rejeita o velho”. Penso que os tempos mudaram e os antes inservíveis, hoje, fazem parte de uma parcela da população que merece ainda mais respeito.
As pessoas vão viver cada vez mais e vão continuar ativas. Assim espero. Por isso, as cidades precisam repensar o futuro e o que fazem para os idosos. É preciso melhorar, por exemplo, a mobilidade. Ruas, praças e avenidas devem ser amplas, sem topes, para não jogá-los no chão. É preciso criar alternativas e oportunidades para os idosos continuarem bem. Afinal, eles têm vida plena. E não podem mais passar despercebidos ou ser vistos como entojos. Aliás, o mercado de serviços, produtos, cursos e demais atividades voltados para eles, está aberto. Quem não pensou nisso ainda, eis uma ótima oportunidade para empreender.

Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação
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