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Espaço Livre
14 de julho de 2017
OLHARES: Representatividade
EDUARDA LUIZA

Nos últimos anos, a representatividade LGBTQ+ tem aumentado cada vez mais. Isso porque o assunto tem sido mais discutido, conversado mais abertamente pelos jovens nas redes sociais e rodas de conversa do dia a dia. Apesar disso, a taxa de homicídios, assassinatos e suicídios dentro da comunidade é muito grande. Na semana passada, na madrugada do dia 4 para o dia 5 de julho, o aluno do Bacharelado Interdisciplinar de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Nicholas Domingues, tirou a própria vida por não se sentir aceito dentro da faculdade e dentro da própria casa, por ser um garoto trans. Segundo informações, alguns professores não aceitavam, em provas e afins, seu nome social, até cortando-o e trocando pelo nome de nascimento. O assunto discutido entre alunos e professores dentro da Universidade Federal da cidade de Juiz de Fora e nas redes sociais foi de extrema importância, trazendo para mim e várias outras pessoas um questionamento acerca do assunto.
Esse ano , a UFJF começou a aceitar o nome social como denominação na hora da matrícula, de forma que o(a) aluno(a) pudesse se sentir aceito dentro do ambiente estudantil. Mas, infelizmente, essa não é a realidade de muitos brasileiros e brasileiras. A representatividade é importantíssima, não só dentro das universidades, mas também dentro das mídias sociais, tanto as “on-line” quanto as “físicas”. É importante termos dentro de todos os ramos, desde o artístico até o empresarial, pessoas que representem e retratem a comunidade LGBTQ+, que faça com que as pessoas dentro do “grupo” possam se sentir à vontade em ser quem eles realmente são.
Pessoas como Arsham Parsi (Irã), Stephen Whittle (Reino Unido), Li Yinhe (China),Vladimir Luxuria (Itália), Kasha Jacqueline (Uganda), Miley Cyrus (EUA), RuPaul (EUA), Pablo Vittar (Brasil) e tantas outras personalidades têm feito com que a causa seja mais repercutida, ação importantíssima, uma vez que os dados de mortes e depressão afligem tanto a comunidade.
Somos uma sociedade tão evoluída e, até mesmo, estamos no topo da cadeia alimentar. Então, por qual motivo ainda fazemos com que os outros sintam medo de gritar para o mundo sobre quem elas realmente são? Tudo em nossa vida é feito e baseado no amor, mas de que adianta pregarmos tanto sobre o amor se não respeitamos o próximo? Se julgamos, criticamos e maltratamos as pessoas pelo simples fato de elas assumirem a própria vida? Se não fazemos um amigo assumir-se como realmente ele é? Não adianta pregar a felicidade, o amor ao próximo se não fazemos as pessoas ao nosso redor sentirem confortáveis, se ainda usamos “apelidos” como “viadinho” ou “mulherzinha” para menosprezar como julgamento ou opressão ao próximo.
Sei que esse ainda é um assunto extremamente delicado, vivemos numa sociedade que ainda possui uma mente extremamente fechada acerca desse assunto. Existem pessoas que ainda não concordam com tal assunto, mas não precisamos exatamente entender, concordar ou sentir-se pressionado a ser diferente, a única coisa que precisamos é respeitar, pois se respeitarmos, dermos amor, carinho e acolhimento, casos como o do Nicholas não se repetirão.

EDUARDA LUIZA é monlevadense, tem 18 anos e estuda artes e design na UFJF
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