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Ponto e Vírgula
14 de julho de 2017
Carros não compram em lojas
ERIVELTON BRAZ

Todas as vezes em que ando pelo centro comercial de João Monlevade, uma pergunta sempre vem à cabeça: Por que, ora bolas, não temos passeios melhores para as pessoas circularem? Não precisa ser especialista para perceber o quão desnivelados, quebrados, esburacados, inclinados, estreitos e cheios de altos e baixos são os passeios da região central da cidade. O problema é antigo e fruto de uma simples questão: sempre se valorizou mais o trânsito de veículos do que o de pedestres. Prova disso, são as discussões sem fim acerca do estacionamento rotativo. E eu pergunto: Quantas foram feitas em defesa do trânsito de pessoas? Isso, falando do centro. Nos bairros, a situação é ainda mais sofrível com os problemas de garagem, escadas, árvores, entre outros tantos entraves no meio dos passeios.
João Monlevade, assim como outras tantas cidades brasileiras, está envelhecendo. Os cidadãos estão vivendo mais e melhor. No entanto, o mundo ainda não acompanhou essa realidade. É alto, na cidade, o número de idosos em plena atividade. Que caminham, que consomem e que movimentam a economia municipal. Portanto, eles necessitam ter condições melhores para transitarem. Os passeios públicos de João Monlevade, sobretudo na região comercial, na avenida Getulio Vargas, fazem mal à saúde.
São topes altos no meio da calçada que podem jogar uma pessoa no chão. Inclinações que se tornam escorregadias quando alguns lojistas ou funcionários sem noção de civilidade, lavam seus estabelecimentos às 8h e colocam em risco a integridade das pessoas que podem cair. São desníveis que tornam sofríveis a caminhada de qualquer um com alguma limitação de mobilidade. Esses são alguns problemas facilmente percebidos, após uma simples caminhada no centro. É urgente a valorização do pedestre, até para incentivar caminhadas mais saudáveis e harmoniosas pelas lojas da região central.
Fora isso, é mais que necessária a retirada de placas publicitárias do meio das calçadas, que só atrapalha quem anda a pé. É preciso uma forma de tirar os ambulantes dos passeios e, ainda, adequar as calçadas para uma caminhada tranquila. Faça um teste:experimente andar no centro com alguém que tenha alguma limitação motora, acompanhando um cadeirante, um deficiente visual, ou mesmo empurrando um carrinho de bebê.
Eu defendo calçadas mais largas, devidamente niveladas e sem obstáculos como placas, buracos e degraus, estacionamento em apenas um lado da Getúlio Vargas, ou em alguns pontos, apenas a pista de rolamento, com o alargamento das calçadas. Seria ótimo ter espaço à vontade para as pessoas caminharem em paz, sem risco de tombos ou mesmo, sem ficar se acotovelando espremidas por falta de espaço.
Além disso, faz-se necessário urgentemente, um novo plano de iluminação da região central. A avenida Getúlio Vargas precisa ser melhor iluminada, clareada como um shopping. Ações assim facilitariam o flanar das pessoas, que é lindo. A medida valorizaria o comércio, incentivaria as compras e deixaria o centro mais agradável. Carro não compra e nem é cliente das lojas. Mas as pessoas sim. Com calçadas mais amplas, seriam possíveis caminhadas mais livres e com facilidade de enxergar vitrines ou simplesmente, de andar sem medo de cair.
A própria etmologia nos diz: o passeio é público. Ou seja, é local para as pessoas, pertencente ou relativo ao povo, é de todos, aberto ou acessível a todos. De preferência, para todos caminharem com segurança. João Monlevade pode e merece mais. Muito mais.

Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação
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