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Papo Aberto
23 de junho de 2017
Dublês, dúvidas e tomates
Luiz Ernesto

Chegamos aos primeiros seis meses do novo governo municipal de João Monlevade, comandado pelo PSDB, e muitas análises já foram feitas. Algumas substanciais, outras rasas. Algumas dotadas de razão, outras recheadas de paixão e afago necessário para se manter benesses, como de costume. Claro, as críticas devem se dosar ao tempo.
Como em outras cidades, metrópoles, países e vielas, os governos são, cada vez mais, acompanhados e levados ao crivo da população. E aqui não é diferente. Principalmente, no momento em que a política brasileira e seus artífices são passados a limpo a todo instante, com um escândalo a cada dia (ou a cada hora), para todos os gostos.
Inclusive, escândalo, propriamente dito, aqui ainda não deu as caras, como os milhões despejados em um hospital natimorto ou a obscura ida de uma rodoviária para a BR, dificultando o acesso de toda a população, só para exemplificar. Ou mesmo as maracutaias que geram dezenas de processos aos seus mandatários, fruto dessa justiça sapeca que gosta de pegar no pé de governos populistas que fazem tão bem à população.
O bom sinal é que a prefeita de João Monlevade passa a imagem de que, no que depender dela, assim a coisa vai continuar, ou seja, sem escândalo. O mau sinal é que não depende dela. E o pior sinal é que a maioria das coisas não depende dela.
Antes de dar nota 0 ou 10 ou avaliar os bem feitos e os mal feitos desse governo, temos que, na verdade, desvendar a maior de todas as dúvidas, que tem, inclusive, gerado situações desconfortáveis até mesmo entre servidores e serviçais: Quem, de fato, governa? Essa foi a pergunta feita desde o dia em que se lançou a candidatura da atual prefeita e, a cada dia, a questão se robusta em dúvidas e certezas. A dúvida sobre quem manda ainda paira tênue. A certeza de que não é ela pesa profundo.
A verdade é que a atual prefeita tem um secretariado razoável para bom. Não tem mácula na carreira e mancha política, até porque ainda não tem uma vida política, mas tem que exigir mais respeito de seus pares. Até mesmo para poder ser avaliada, achincalhada ou ovacionada pelo povo. É dela a decisão de continuar sendo uma boa chefe de gabinete e dublê de prefeita, ou pegar as rédeas e tomar para sim o poder que lhe foi imputado.
Afinal, o povo quer um rei, ou uma rainha, seja para aplaudir ou atirar-lhe os tomates.

Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia
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