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Espaço Livre
20 de abril de 2017
OLHARES: Dados machistas
EDUARDA LUIZA

Sempre que escrevo para a coluna eu penso em algo sentimental e mais pessoal, que eu ache que as pessoas se encontrem nele, fazendo, assim, com que elas vejam que elas não estão sozinhas.
Hoje eu ia escrever sobre uma coisa totalmente diferente, mas aí, almoçando com uma amiga, eu ouvi uma conversa de uns caras falando sobre como “mulheres só compram sapatos” e isso me lembrou de um outro dia em que um colega falou que “o problema é que as mulheres impõe o feminismo em todo lugar”. Antes disso, uma amiga havia me contado que tinha sido ignorada em uma conversa sobre física por ser a única mulher do grupo. Chega a ser engraçado falar sobre isso, afinal, estamos no século XXI e tem-se como ideia mundial que somos todos iguais. Mas, afinal, somos mesmo tratados assim?
Talvez para você esse seja apenas mais um texto, falando novamente sobre o machismo. Criticando, mais uma vez, sobre como vivemos num mundo de homens, mesmo que sejamos praticamente a metade da população mundial. Eu sei que boa parte das pessoas que estão lendo esse texto devem estar achando que eu vou falar mal dos homens, que vou falar que as mulheres são melhores, que deveríamos receber mais que homens, que somos isso ou aquilo, mas eu só quero que você pense, ao final dessa crônica, o seguinte: a mulher que convive com você (seja você homem ou mulher) é tratada igual a você?
Você já se sentiu assediado? Já sentiu que alguém te constrangeu? Você já apanhou dentro de casa sem motivo? Já foi ignorado por ser quem você é? Você já imaginou o que é sofrer isso tudo e não poder ir à polícia, pelo simples fato de um delegado não te dar moral? E até falar que “você mereceu” ou “ele pode, é seu marido”?
Durante 10 anos, 43,7 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, sendo 40% das vítimas mortas dentro de casa (dados do Ipea de 2000 – 2010). O Brasil está em 133º de 145 países na igualdade salarial, 123º de 145 países em relação a mulher no congresso e 84º de 145 países em relação à mulher no ministério (dados retirados da revista Época). Em relação a salários, uma mulher pode receber até 28% a menos que um homem, fazendo o mesmo serviço, podendo, também, uma mulher negra chegar a receber 172% a menos que um homem.
Para você, tudo isso pode ser somente um dado estatístico, mas são dados que demonstram que o Brasil ainda é um país predominantemente machista, em que até mesmo discutir sobre isso é tabu. Esse foi um texto bastante informativo, mas é para a reflexão ser sua. Você tem feito tudo pela igualdade?

EDUARDA LUIZA é monlevadense, tem 17 anos e é escritora
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