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Papo Aberto
31 de março de 2017
Corta o rabo dela
Luiz Ernesto

“Corta o rabo dela, pisa em cima, bate nela, pega na mentira...”, apareceu cantando no ano de 1981 o cantor e compositor Erasmo Carlos, não sei se prevendo que, 36 anos depois, a danada estaria tão em voga em nosso país.
Toco no assunto, claro, pelo fato de amanhã, 1º de abril, ser estabelecido no folclore popular como o dia dela, da mentira. O problema é que ela teve uma projeção tão grande em nosso país e ocupa tanto o nosso dia a dia, que o 1º de abril já deve merecer figurar no calendário como feriado nacional.
A grande questão é que a mentira ingênua, folclórica, dotada de fábula e humor, aquela dos pescadores, caipiras e dos adolescentes na luta pela conquista da cobiçada garota bonita da escola, cedeu lugar a dos políticos picaretas (predominantes), dos empreiteiros corruptos, dos ministros de índole duvidosa e dos candidatos em campanha. Nunca se mentiu tanto nesse país. Nunca se ouviu tanta mentira nesse país. O dia dela deixou de ser exclusividade do 1º de abril e ela aparece todos os dias, às vezes, várias vezes ao dia.
E quando algo se torna tão recorrente, a ponto de fazer parte do cotidiano e se tornar traço da personalidade de uma nação, mais precisamente de seus representantes políticos, fica o perigo de se tornar natural. E no caso da famigerada mentira, que, cá para nós, nunca é boa, seja grande ou pequena, o perigo é ainda maior. Não podemos, definitivamente, nos acostumar com ela, achá-la natural, corriqueira e sem malefícios. Principalmente, quando ela vem dos pilantras que nos roubam no dia a dia, deixando o país em ruínas e enchendo suas polpudas contas nos paraísos fiscais.
A questão é que a mentira nunca esteve tão em voga e o 1º de abril já tem ares de feriado nacional em nosso país. Por essa, nem o tremendão Erasmo Carlos esperava, ao mandar cortar o rabo dela em 1981.

Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia
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