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Papo Aberto
3 de março de 2017
O Carnaval, sempre ele
Luiz Ernesto

E o período sem crise e caos, que compreende nosso frenético Carnaval, chegou ao fim. Agora, não tem jeito. A coisa tem que começar a andar e não adianta colocar a culpa no presidente em exercício, nos ministros do STF, na Globo ou na Veja, temos que tomar nosso rumo.
Eu, particularmente, adoro o Carnaval. Claro, não tenho mais o pique dos meus vinte anos para subir e descer as ladeiras de Ouro Preto ou para encarar a folia quente do litoral, mas não deixo de apreciar essa mistura de efervescência, sátira profana, música ruim, música boa sendo transformada em ruim e tudo o mais que vem no pacote Carnaval. Neste ano, além da falta de pique e fôlego, contei com uma forte gripe associada a uma sazonal sinusite que me bateu à porta exatamente na manhã de sábado e só resolveu aliviar na quarta-feira de cinzas. É isso aí, fui premiado e neste Carnaval meu bloco foi o da febre e da dor de cabeça.
Mas foi bom para descansar e constatar, com mais atenção e sobriedade, coisas incomuns para a época, que o brasileiro é mesmo apaixonado com a festa momesca. Seja nas escolas de samba, blocos, salões (escassos), clubes, avenidas, praias e ruas, o Carnaval não sucumbiu, em um milésimo de segundo, aos desmandos de nossa política, de nossos casos de corrupção, de nossa insegurança pública, do caos em nosso sistema de saúde e da violência e intolerância enraizadas em nossa sociedade. Além de não se deixar levar pelo pessimismo do momento, a festa serviu de válvula de escape para o desabafo de milhares de cidadãos Brasil afora, que usaram de irreverência e bom humor para protestar contra nossas balbúrdias do dia a dia.
É o Carnaval, sempre ele. Conseguindo, com sua energia descomunal, espalhar alegria em nosso barril de pólvora chamado Brasil.

Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia
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