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Papo Aberto
3 de fevereiro de 2017
Uísque escocês e vodca russa
Luiz Ernesto

Semana passada, mais precisamente no dia 25 de janeiro, comemorou-se (?) o centenário do ex-presidente Jânio Quadros. Algumas matérias e artigos que li o classificaram como um bom prefeito, um governador mediano e um péssimo presidente, pelo pouco tempo que esteve lá, já que renunciou ao cargo com menos de sete meses de governo. Também foi vereador e deputado estadual.
Polêmico, excêntrico, verborrágico e caricato, talvez um dos políticos mais imitados por humoristas no Brasil, por sua voz histriônica, estilo e frases inusitadas, Jânio pode ter sido herói para uns e vilão para outros tantos, mas uma coisa é certa: não passou despercebido em sua meteórica trajetória política. Seja por feitos coerentes, seja pela “loucura” e rompantes regados à uísque escocês e vodca russa.
Falo de Jânio porque, ao ler e ouvir sobre seu centenário, me veio à cabeça uma questão. Ele, assim como muitos outros políticos brasileiros do século passado, será lembrado por seus feitos heroicos, posições contraditórias ou mesmo por ineficácia e ladroagem, ao contrário da maioria dos políticos do século 21, que, possivelmente, serão lembrados apenas pela última característica. Atualmente, são raros os políticos que ficarão na história, seja por atos marcantes, ideologia e, principalmente, posição de liderança contra as mazelas de nosso país. Infelizmente, a maioria de nossos representantes de hoje será simplesmente esquecida, ou lembrada apenas por estar em listas de delações premiadas de empreiteiros picaretas e atolados na lama da corrupção. Salvo raras exceções. E isso independe de partido político, apesar da direita reacionária, burra e pseudo-burguesa brasileira, detentora da moral e dos bons costumes, porém, ávida por poder e benefícios e atolada em falcatruas até o nariz, anunciar todos os dias que a corrupção brasileira é patenteada pela turma do PT, alimentando o clássico futebolístico que virou esse duelo de caráter.
A verdade é que políticos marcantes estão se acabando. Sejam os pitorescos, os caricatos, os estadistas, os picaretas românticos e os honestos. E até os movidos a uísque escocês e vodca russa.

Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia
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