Desde 1984
Julieta Bittencourt
10 de janeiro de 2020
Amor, Tempo e Morte
Ficamos tão presos às rotinas do dia a dia, que sempre achamos que o próximo dia será como um dia qualquer. No último domingo, 5 de janeiro de 2020, seria mais um dia simples. A chuva da noite anterior mudou minha programação. Não tinha dado conta da data até o lembrete do dia me mostrar. Apenas pensei “não vou tocar no assunto para não deixar o dia triste”. A manhã estava entre nuvens. Há qualquer momento, a chuva cairia novamente. Esse domingo foi como o clima, tendo a chuva para lavar e desabafar a alma, o frescor para aliviar e, no final, o sol para iluminar.
Acredito em algumas coisas nesta vida e uma delas é que não existem coincidências. Talvez nosso destino realmente já esteja traçado. Mesmo com tantas escolhas que fazemos não há como fugir dele. Sempre buscamos algo para fazer e dar sentido a essa vida e, aos poucos, vamos entender que estamos aqui para nos conectar.
O que é essencial para a vida? Hoje, eu consigo entender um pouco, que temos ânsia por amor, que sempre vamos querer ter mais tempo e que tememos a morte. É claro que nos apegamos aos bens materiais, por mais simbólicos que sejam e que não tenham valores altos. Mas, no fim, são apenas bens materiais... Os valores são o que nos tornam quem somos.
Em meio a tantas dificuldades que cada um enfrenta, sabemos que apenas você sabe das suas limitações. Não vou entrar nas entrelinhas da história desse dia, mas no domingo, completaram-se 14 anos sem meu pai. E por destino, sem ninguém se dar conta, seu velho fusca também teve a sua partida na história da minha família. É só material, como disse. Mas são os valores e a história que nos unem ao passado de lembranças, os quais envolvem Amor, Tempo e Morte.

() Julieta Bittencourt é diagramadora do Jornal A Notícia