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Editorial
29 de novembro de 2019
Sexo sem proteção
João Monlevade registra um aumento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Os casos de sífilis mais que dobraram entre outubro e novembro neste ano, saltando de 30 para 66. A cidade também registra 136 pessoas infectadas com HIV 25 com Hepatite C e 11 com Hepatite B. Os números revelam que relações sexuais estão sendo feitas sem preservativo. Em alguns casos, assim que receberam o resultado positivo para o vírus da AIDS, os pacientes revelam que tiveram relações com várias pessoas, o que pode significar um número muito mais alto de infectados.
Os dados foram repassados pelo Programa Municipal IST/HIV/AIDS, mantido pela Secretaria Municipal de Saúde, no Posto Padre Hidelbrando de Freitas, no bairro Vila Tanque. O aumento chama a atenção para um assunto cuja tecla é batida há décadas: sexo sem prevenção é um disseminador de infecções diversas que causam doenças podendo levar à morte.
É preciso deixar de lado a hipocrisia, o preconceito e os tabus. Afinal, sexualidade é assunto a ser debatido em casa e nas escolas, principalmente, aos mais jovens. No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que atende Monlevade e mais cinco cidades, são 85 casos de HIV positivo em pessoas com idades entre 18 e 39 anos e 112 casos naqueles com idades entre 40 e 59 anos. A terceira idade mantém-se sexualmente ativa e também precisa se prevenir. Isso, porque a região também tem 14 casos de HIV em pessoas com idades entre 60 e 79 anos.
Os homens são os mais infectados com HIV: 117, contra 95 mulheres, totalizando 212 nos municípios com atendimento em João Monlevade. Chama a atenção que há casos em que cônjuges contaminaram suas companheiras, após relações extraconjugais. Falta de consciência e de respeito com quem deveria ser um parceiro.
Apesar do tratamento ao HIV em Monlevade ser referência na região e com avanço das tecnologias que minimizaram os efeitos colaterais dos remédios, não dá para deixar a prevenção de lado. E cabe a cada um se conscientizar para o uso de preservativo, acabar com o preconceito para realizar exames e respeitar e acolher os portadores de HIV.