Desde 1984
Márcio Passos
8 de novembro de 2019
A vida nunca será como antes
Independentemente do país em que você estivesse em 1800, seria muito difícil saber muita coisa sobre o resto do mundo. Não havia rádio, televisão, jornais diários ou bibliotecas públicas.
Passados 151 anos depois eu nascia, o rádio era produto de luxo, jornais impressos poucos tinham acesso e televisão nem existia. Telefones eram raros e a fila de espera virava dia ou dias.
Cheguei a Monlevade em 1958 e, dois anos depois, conheci TV preto e branco na casa de um contramestre da Usina, chefe de meu pai. A colorida só encheu meus olhos de emoção nos jogos da Copa do Mundo de 1970. Eu morava no interior da Bahia e acabara de completar 19 anos.
De lá pra cá a evolução tecnológica, a ciência médica e os novos sistemas de informação nos proporcionaram uma acelerada evolução que transformou o último meio século no período de maior mudança de comportamento da humanidade.
No início do século passado a expectativa de vida era de 40 anos, hoje ela dobrou e já se anuncia que dentro de mais meio século o ser humano poderá viver 150 anos.
E eu fico aqui pensando sobre em qual mundo viverão nossos filhos e netos. O que os esperam no não tão distante ano de 2050? São apenas três décadas que, com certeza, trarão muitas descobertas e mudanças de comportamento.
Médico de outro país operando paciente brasileiro pela internet, congestionamento provocando acidente com carros voadores, drones entregando buquê de flores na casa dele/dela, smartphone implantado sob a pele, bebê com DNA modificado para viver 150 anos, casamento grupal aprovado e sinal de riqueza será ter controle de dados das pessoas.
Qual o futuro da vida? E o que podemos fazer para garantir aos nossos descendentes, pelo menos, um caminho menos complicado na busca da felicidade? Mesmo porque até agora o que me parece menos descartável é ela. Ou o tempo vai também desmentir isso?

() Márcio Passos é jornalista e fundador do A Notícia