Desde 1984
Erivelton Braz
4 de outubro de 2019
Outras vias
Há um ano das eleições municipais, nem os governistas acertaram o discurso e o caminho para reeleger Simone e nem a oposição se estabeleceu como alternativa à situação. O alto número de indecisos, brancos e nulos, além dos que avaliam o governo como regular, provam que a cidade está em busca de novidades.
A verdade é que ainda não surgiu o candidato que fale o que a população quer ouvir e espera para o próximo pleito. Além disso, falta convencimento de parte do eleitorado. A sensação de descrédito ainda é maior que a da esperança. A questão chave não é torcida contra a gestão Simone e nem criticar Railton e a turma da oposição que se organiza na “Frente Ampla” com vários partidos. O fato em si, é que João Monlevade não pode apostar nos mesmos discursos.
A cidade precisa sair da mesmice. Pouco se ouve falar em geração de emprego e renda, em avanços na educação, em propostas inovadoras para a mobilidade urbana. Se de um lado, um grupo espera a manutenção no poder, de outro, o que se vê, é exatamente o desejo de ocupar esse mesmo espaço. Isso, porque até o momento, tanto na situação quanto na oposição, o que se vê é a proposta do “nós contra eles”, tão batida e cansativa, tanto aqui, quanto no cenário nacional.
Não há um plano para colocar Monlevade como ela deve e merece ser: longe dos aparelhos de grupos. Monlevade precisa voltar a ser Monlevade, assumindo o seu protagonismo e a sua vocação para o progresso.
Qual grupo político fala em inovar com start ups, parque tecnológico e valorização dos estudantes universitários da cidade? Quem pensa em soluções inteligentes para o trânsito? Quem aposta no desenvolvimento econômico a partir da economia solidária? Quem pensa em alternativa para o crescimento a partir do Distrito Industrial, do fortalecimento do comércio? Quais grupos apostam na redução e enxugamento da máquina pública e na valorização do funcionalismo de carreira? Quem terá coragem de chamar entidades públicas e privadas para o debate, em defesa do fortalecimento municipal? Quem pensa em aproveitar universitários em projetos de diversidade econômica? Quem tem ideias menos chuva no molhado?
Há um ano para as eleições, é preciso ousar e buscar alternativas inteligentes para levar a cidade ao progresso. O próximo prefeito não pode ser apenas um gestor de despesas ou gerenciador de folha de pagamento. Tem que ter visão de futuro, vontade de fazer diferença e ser diferente. Está na hora da cidade voltar a andar para frente e ser a Monlevade que tanto esperamos.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação