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Editorial
4 de outubro de 2019
A morte de um homem diminui
“A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade”. Assim disse o poeta inglês John Donne, frase que inspirou o escritor norte americano Ernest Hemingway a escrever o clássico Por quem os Sinos Dobram.
Todos os sinos dobraram, nesta semana, diante da morte do Sargento Célio Ferreira, assassinado enquanto combatia o tráfico de drogas na cidade.
Respeitado, admirado e policial preparado para a função, o Sargento Célio ainda assim, é vítima da violência. O representante do Estado foi alvejado enquanto defendia a sociedade dos malefícios das drogas. Afinal, se os dois jovens do São João que participaram do homicídio do policial não tivessem envolvimento com o tráfico de entorpecentes, eles não estariam armados e, consequentemente, um deles, não apertaria o gatilho. Também se não fossem as drogas, o Sargento Célio não estaria ali, naquela hora e local.
Um policial foi morto em serviço e dois jovens estão presos e podem responder por homicídio qualificado. Uma tragédia que fere três famílias e a sociedade como um todo. O Sargento Célio deixou um legado e teve a vida encerrada pela ação de criminosos que ele tanto combateu. Os dois jovens perderam a liberdade e o direito do convívio em comunidade. “Afinal, também morre quem atira”, como cantou o Rappa.
O momento chama a uma reflexão: quantas pessoas precisarão morrer (policiais ou não) para alguém fumar um baseado, uma pedra de crack ou cheirar uma carreira de cocaína? Quantos precisarão morrer para um revólver chegar até às mãos de marginais? A verdade é que o debate precisa ser amplo e a política de combate às drogas precisa ser mais eficiente. Tanto em João Monlevade como no Brasil.