Ponto e Vírgula
7 de junho de 2019

O amor é o mais importante

A todos os namorados, que celebram seu dia no próximo dia 12

Amar nunca foi para os fracos Ainda mais em tempos duros, amar é luz dos olhos. É relicário. E eu amo tanto minha amada Renata. Amo muitas coisas... Já amei outras tantas e agora, estou amando o disco novo do Nando Reis, com as canções de Roberto Carlos.
Sempre amei o Roberto. Desde que aprendi a gostar de música, ainda criança, colocando discos dele para minha mãe ouvir. Após perder a visão, ela recorria a mim para escolher qual iria ouvir: "o do ano que você nasceu". Ou o do Caminhoneiro. Ou aquele que tem A Montanha, aquele de Cama e Mesa... Aprendi desde novo, palavras de amor com quem melhor escreve a respeito na nossa música popular. E eis que, neste ano, o Nando Reis grava o excelente disco “Não sou nenhum Roberto, mas às vezes eu chego perto”.
O disco, com uma simplicidade e beleza, encheu meus ouvidos e coração. Não só pelos versos, pelo repertório escolhido a dedo ou pela sonoridade. Mas pelo amor. E a história desse trabalho é ainda mais impressionante. Em entrevista, Nando Reis disse que escolheu as faixas que tinham a ver com ele e a esposa, Vânia. Os dois se reconciliaram recentemente, mesmo após 41 anos de relacionamento. Eles se conheceram na adolescência, casaram, tiveram quatro filhos, separaram, voltaram, separaram de novo e, reataram para valer em 2013, recuperando uma história de amor, que é de toda uma vida.
Aliás, o próprio Nando já disse que, mesmo quando separado dela, sempre escreveu para Vânia. Mesmo quando estava em outros relacionamentos, mesmo quando falava de amor em suas canções, era nela que ele pensava. Até me lembra outro verso do Roberto: "Tudo o que eu vejo de bonito, se parece com você", da canção Todas as Manhãs, de 1991.
E foi por amar essa história do cantor, que amei ainda mais o disco do Nando. Por ter a ver comigo e com a Renata, por mostrar que assim como as cartas de amor, se há amor, certas canções são ridículas. Por homenagear Roberto e Erasmo, nossos Lennon e McCartney. Por reconceituar Amada Amante, que perdeu o tom original do amor extraconjugal, mostrando que ser possível amar com a mesma intensidade e ardência dos amantes furtivos, a pessoa que está bem a seu lado. Por cantar Alô com a dor dos insones. Por cantar Me conte sua História, como uma súplica e até por cantar Nossa Senhora, sendo ateu, por admirar a fé de Roberto.
O show com o repertório do disco está lindo. É um bálsamo. Eu e minha amada Renata, o assistimos em Ouro Preto, na última semana, entre as igrejas centenárias, na terra do amor de Marília e Dirceu. O amor sempre vale e é só o que importa, como disse Nando, antes de cantar Sou Dela, cujo refrão traz o verdadeiro verso: "Sem ela, eu não sou". Nem eu.

() Erivelton Braz é é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação