Papo Aberto
10 de maio de 2019

Copo cheio, copo vazio

Apesar do clichê, a metáfora do meio copo com água serve para uma reflexão ao questionar: o que você vê? Os positivistas sempre afirmam que enxergam o copo meio cheio e ainda pensam em como completá-lo, a partir de uma visão otimista.
Já os negativistas, com seu olhar pessimista, afirmam enxergar apenas o resto de água no copo e que, em breve, estará vazio. Não há o que fazer, “a não ser tocar o tango argentino”, citando Manuel Bandeira e o seu desengano. Como muitas vezes, as situações têm três ou mais lados, há ainda os que enxergam apenas um copo ao meio. Nada mais que isso e seguem sua vida indiferentes.
Trazendo esse caso para João Monlevade, qual é a visão que você tem da cidade? Na otimista ou na pessimista? Como você enxerga o município hoje: das oportunidades ou da falta de esperança? Estamos há 17 meses de novas eleições e o momento será de colocar na balança, os representantes do povo que foram eleitos há quatro anos. E você, como avalia o governo municipal?
Se pensarmos que a maioria das cidades brasileiras está em profunda crise financeira, muitas devendo funcionários e fornecedores, a prefeita Simone Carvalho (PSDB) faz uma boa gestão. Se pensarmos que, mesmo diante de um déficit de quase R$30 milhões por parte do governo do estado, a prefeita Simone faz um trabalho austero e responsável, estamos vendo o lado cheio do copo: João Monlevade é uma das poucas de Minas que cumprem e mantém em dia, suas obrigações financeiras.
Agora, se medirmos pelos problemas cotidianos e que também ocorrem na maioria das cidades brasileiras, enxergamos o lado vazio do copo. Em João Monlevade, há demandas na saúde, como demora em consultas. Na área cultural, faltam atividades expressivas, valorização de artistas, exposições e até lugar adequado para tal. Na gestão da cidade, falta também uma valorização das áreas públicas, como melhor limpeza e organização do trânsito, apenas para citar alguns exemplos.
A verdade é que governar não e fácil. Com todas as dificuldades, principalmente, com as limitações orçamentárias, administrar um município é como um trem subindo uma montanha: sem uma marcha forte, todo o comboio será arrastado para trás. Por isso, cabe a cada um que disponibilizou seu nome e venceu na preferência do leitor, que tenha o forte compromisso para tornar as coisas melhores. Ninguém agrada a todos. Essa é uma das verdades incontestes. Mas é preciso que prefeitos e vereadores se esforcem para, pelo menos, acertarem mais que errarem e conseguirem que a população acredite mais na metade cheia do copo do que na vazia.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação