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Editorial
18 de abril de 2019
O dono da Câmara
Há muito tempo, o vereador Sinval Jacinto Dias (PSDB) tem se comportado como o dono da Câmara Municipal de João Monlevade. Ele tem o maior tempo na tribuna, é o que mais pede e ganha apartes dos colegas e o que se posta como melhor que os outros, exaltando experiência. Sinval, de origem humilde, morador do bairro Campos Elísios, já mostrou que tem bom coração com os mais pobres. Mas não tem tido a mesma humildade com os colegas de parlamento.
Na semana passada, o vereador ultrapassou todos os limites ao esfregar um livro no rosto do colega Belmar Diniz (PT), na tribuna da Câmara. O lugar mais democrático e, justamente, o mais valorizado por Sinval Dias.
Pelo menos, o presidente Leles Pontes (PRB) instaurou Comissão Ética para acompanhar os casos que excedam o respeito no Legislativo. Já Belmar afirma que vai procurar a Justiça contra Sinval, que pode perder o mandato por quebra de decoro parlamentar. Alguém precisa parar Sinval, antes que o mínimo de respeito que resta ao Legislativo de João Monlevade, por parte da opinião pública, acabe.
O vereador chama os mais jovens de inexperientes, debocha deles e não respeita quem pensa diferente, sobretudo, quando o assunto é o governo municipal. Mesmo após 26 anos na casa, como ele mesmo gosta de exaltar, parece que tem faltado a Sinval, o mínimo necessário para entender que o parlamento é onde há o debate de ideias contrárias e onde a tolerância deve sempre falar mais alto.