Papo Aberto
5 de abril de 2019

Velha roupa colorida

"Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer", diz um trecho da consagrada canção Velha Roupa Colorida, do cantor e compositor Belchior, falecido em abril de 2017. Imortalizada em sua inconfundível voz e também pela imortal Elis Regina.
Pois é, inicio meu texto de hoje com essa letra por achar que ela carrega grandes verdades, que devem ser ditas e saudavelmente lembradas. Principalmente, em tempos agudos de descrédito, desesperança e, ao mesmo tempo, intolerância com as agruras estabelecidas ao povo por seus governantes. Sejam esses em esfera nacional, estadual ou municipal.
Além de toda má fé, má intenção e incompetência latente, nunca a mudança, de fato e de forma concreta, foi tão salutar. Em se tratando de João Monlevade, então, isso é público e notório a cada dia e não é preciso muito esforço para enxergar. Afinal, "... o que há algum tempo era jovem e novo hoje é antigo e precisamos todos, rejuvenescer...".
Sem querer filosofar por essas linhas, mas até nós, e porque não dizer, principalmente nós, mudamos sempre, é do humano. Alguns evoluem, outros retrocedem, mas sempre há mutação. Sempre há desejo de inovar e mudar, com maior urgência e força de vontade o que não está bom, legal, saudável e de acordo com a vontade de todos. Ainda mais quando tratamos de coisa pública e que reflita diretamente no bem estar e na vida das pessoas. Mudar a forma de conduzir políticas públicas, com maior transparência e direcionamento para quem realmente precisa, mudar nossos atos, nossa forma de enxergar velhos paradigmas e dogmas estabelecidos como leis, mudar caminhos e até mesmo refeições, manias e o disco na vitrola, tudo isso é saudável e bem vindo. Mudar é sempre preciso. Claro, para melhor.
Afinal, como bem e lindamente diziam os saudosos Belchior e Elis Regina: "No presente a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais".
A roupa, por mais colorida que seja, também fica velha e desbotada.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia