Ponto e Vírgula
5 de abril de 2019

Quem paga os ônibus de graça?

Nesta semana, a Câmara Municipal de João Monlevade aprovou um anteprojeto a ser apresentado à prefeita Simone Carvalho (PSDB), para que ela conceda gratuidade nos ônibus coletivos aos socorristas do Sevor, a caminho do deslocamento para desempenho de suas funções. Membros da entidade acompanharam a votação, aprovada sem discussões ou contra-argumentos. A iniciativa é do vereador Guilherme Nasser (PSDB), mas para valer, precisa da sanção da prefeita.
Muito louvável a proposta, já que o Sevor salva vidas todos os dias, de forma voluntária há cerca de duas décadas. Além disso, é um dos patrimônios de João Monlevade e uma das entidades mais respeitadas e admiradas. Mas a questão aqui não é o Sevor. É sobre quem vai pagar a tarifa.
Vereadores de João Monlevade tem feito muitos anteprojetos para conceder gratuidade no transporte público. Na semana passada, o presidente Leles Pontes (PRB) também teve aprovado um pedido para a prefeita conceder passagem grátis a estudantes carentes e que são beneficiados com bolsa de estudos em cursinhos ou escolas particulares. Se não me engano, também há gratuidade para acompanhantes de estudantes da Apae e de doentes crônicos. Também há para mães que levam os filhos a creches. Não julgo, de maneira alguma, quem merece ou não ter o benefício. Como disse, a questão é mais econômica do que de ação social.
Acontece que além das gratuidades constitucionais, há aquelas, fruto da política. Os vereadores indicam e a prefeita não tem coragem de barrar, porque os beneficiados merecem sim, a gratuidade. O problema é que isso será cobrado depois, no bolso do usuário.
João Monlevade tem uma das passagens de ônibus mais caras do estado. A cidade não tem área urbana extensa e, por isso, salvo poucas linhas, a maior parte dos itinerários não é longa. Portanto, restam questionamentos se é justificável ou não, cobrar pelo preço praticado no município.
Falando em transporte publico, a Enscon é muito criticada pelos serviços oferecidos, atraso nos horários, dupla função de motorista, catraca dupla, limpeza e qualidade da frota, entre outras. O usuário tem razão ao criticar, já que o preço da passagem é alto em relação ao benefício.
Está na hora de rever gratuidades e o serviço oferecido à população. Monlevade merece um transporte coletivo melhor. Sou a favor de abolir o recebimento de dinheiro nos ônibus e contra a função dupla do motorista. Todos deveriam usar cartão ou um sistema inteligente de pagamento da passagem. Certamente, os ônibus não teriam tantos atrasos e a população ficaria mais bem servida. No século XXI, a mobilidade urbana é fundamental para melhorar a vida das pessoas e não o contrário. As mudanças poderiam começar com a revisão das tarifas e das gratuidades, para congelar ou diminuir o preço das passagens.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação