Desde 1984
SeuDireito
29 de março de 2019
O futuro da advocacia
() Camila Soares Gonçalves - Interina

O sucesso na advocacia privada tem sido cada vez mais difícil. A atuação do advogado, tal como realizada décadas atrás, não se mostra mais suficiente aos anseios dos clientes e mudança de era pela qual passou a sociedade.
Há mais de um milhão de advogados no país, o que torna cada vez mais árdua a tarefa de se destacar no mercado. O uso da inteligência artificial coloca em cheque algumas tarefas que podem ser realizadas por robôs. Os clientes também mudaram de perfil e hoje buscam serviços eficientes e de qualidade, que demandem o menor desgaste psicológico, tempo e custo financeiro possível. Nesse cenário, como se tornar um advogado do futuro?
O Brasil é o país com a maior densidade de advogados por habitante do mundo. A mera graduação em Direito, por si só, não é mais capaz de garantir que o advogado seja um profissional de sucesso. Ao contrário, cada vez mais torna-se necessário a sua profissionalização para que atenda o nível de excelência buscado pelos clientes.
Isso porque o comportamento dos clientes de hoje é completamente diverso do praticado nas últimas décadas. O crescimento tecnológico fez com que o conhecimento esteja na palma das mãos, tendo o acesso amplo à internet mudado a sociedade de modo a refletir diretamente na forma de contratação de advogados.
Atualmente os clientes buscam os advogados muito mais pela internet do que por recomendações de amigos e familiares, sendo muito importante que o advogado tenha uma presença digital de qualidade para obtenção de negócios.
E por falar em tecnologia, o profissional do futuro da advocacia deve estar antenado com as ferramentas existentes hoje que podem aumentar sobremaneira sua produtividade, tais como softwares gratuitos que realizam automatização de processos, análises e eficiência de serviços, fazendo com que o advogado perca menos tempo realizando tarefas administrativas e foque na análise estratégica do direito.
Outro ponto relevante diz respeito ao investimento na educação dos advogados. O advogado brasileiro atualmente investe apenas R$680,00 por ano em tecnologia, informação e conhecimento, 10 vezes menos do que o advogado norte americano. Percebe-se claramente que o advogado brasileiro não investe naquilo que é essencial para o seu trabalho, e isso deve ser objeto de reflexão. Aos advogados que ficaram preocupados com o cenário atual, comecem desde já a mudança
Esse é o caminho que deve ser trilhado pelo advogado do futuro: o da análise estratégica do direito, investindo no desenvolvimento de habilidades que vão além da sua formação básica, saindo da zona de conforto e pensando fora da caixa. Somente com inovação e desenvolvimento profissional será possível enfrentar os desafios da advocacia, atingindo o tão almejado sucesso.

() Camila Soares Gonçalves é professora e advogada