Ponto e Vírgula
29 de março de 2019

“Governar é escolher prioridades”

O presidente norte americano John Kennedy sentenciou essa frase emblemática e que nomeia esse texto, em meio a ataques de mísseis soviéticos a partir de Cuba, em 1962. E ela se tornou um mantra de políticos.
A prefeita de João Monlevade, Simone Carvalho (PSDB), por exemplo, não prestigiou a solenidade de uma das entidades mais importantes do município, a Funcec, no último sábado (23). A noite repleta de cultura foi marcada por shows da Orquestra Big Band, grupos de Câmara, Coral Monlevade, além do lançamento de livro escrito pelo professor Dadinho, outro grande expoente da cidade nas áreas de educação e cultura. A prefeita e a presidente da Fundação Casa de Cultura, Claira Ferreira, não participaram porque deviam ter outras prioridades numa noite de sábado.
As prioridades de cada governante ficam evidenciadas, não só na execução de seus planos de governo, como também, na postura apresentada diante da comunidade. Fato é que a prefeita Simone já mostrou que não é fã de eventos sociais. Por exemplo, mesmo convidada repetidas vezes, ela nunca participou do 100 Melhores, premiação empresarial promovida pelo A Notícia e que se tornou a mais importante da cidade. Além da reunião de um público de 700 pessoas, formado por empresários e comerciantes de sucesso, o evento é o mais esperado do ano. Em 2019, na 18ª edição do Prêmio, ela será novamente convidada e a torcida é para que compareça.
Em seu governo, a prefeita Simone tem deixado marcadas outras prioridades. Ao oferecer o 0% de aumento ao funcionalismo, ela prioriza a manutenção dos salários e pagamentos em dia. Isso, diante do caos financeiro promovido pelo ex-governador Fernando Pimentel (PT) e recursos devidos ainda não pagos pelo atual governador Romeu Zema (Novo). O momento é de colocar o freio e manter em dia os salários, evitando dispensa de servidores.
Porém, é preciso rever o tratamento com parte do funcionalismo. Um exemplo são as gratificações a ex-vereadores e aliados de sua base político eleitoral. Muitos dos que recebem os benefícios que podem chegar a até 80% de seus vencimentos, possuem estreitas relações com a chefe do Executivo e, sobretudo, com o marido dela. Não é ilegal pagar gratificações. Só chama a atenção que poucos são os servidores efetivos a receberem o bônus, pagos mais a quem compõem a base eleitoral da prefeita. Isso, também não deixa de ser uma prioridade.
É hora de rever as prioridades. Passamos todos por um momento de transição, onde mudança e a inovação são imprescindíveis em todos os setores. Não se faz mais política e nem se governa mais como antigamente. O eleitor ganhou voz e dita, mais do que nunca, as regras do jogo eleitoral. Nunca foi e não é bobo. Loucura é político não pensar nisso e no bem estar da população como prioridade máxima de sua gestão.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação