Desde 1984
PapoAberto
22 de março de 2019
Não alugue os meus ouvidos
A Prefeitura de João Monlevade anunciou, dias atrás, a reativação do Clube Recreativo, do bairro Vila Tanque, informando que implantaria no local mais um núcleo da Fundação Municipal Crê-Ser. Até aí tudo bem.
A grande questão é que a prefeita também anunciou, na ocasião, que o Executivo iria pagar um aluguel para utilizar o local. Daí vem a pergunta que não quer calar: Pagar aluguel para quem? Quem receberia esses valores mensais, que não foram mencionados pela administração, para conceder o espaço, já que o clube está em total estado de abandono há tantos anos? Quem é, portanto, o responsável pelo local? Bom, segundo a Prefeitura, o aluguel seria pago à Sociedade dos Amigos do Bairro Vila Tanque, a Savita, que está regular. Mas onde estava a Savita e seus membros durante todos esses anos, em que o clube, tão tradicional e parte da história do bairro e da cidade, foi tomado por mato, cobras, ratos, lixo e fezes de andarilhos?
Alguns podem dizer que, com essa iniciativa, a Savita será ressuscitada e voltará a atuar. Tudo bem. Mas a sociedade fará o quê com o dinheiro do aluguel, já que, com um núcleo da Fundação Crê-Ser no local, a manutenção, limpeza e estruturação do espaço ficarão a cargo do Executivo? Após duras críticas em redes sociais, a Prefeitura ainda tentou um recuo estratégico (palavra difícil de se colocar em uma mesma frase que se tenha o atual governo municipal), dizendo que, talvez, o aluguel não seria pago em dinheiro, mas em serviços de manutenção prestados. Como diz a letra da música popular: "Me engana que eu gosto".
A questão é que a palavra "aluguel" soou mal e despertou a curiosidade de moradores da famosa e charmosa Vila Tanque e de toda a cidade, até porque muitos ainda se lembram de questões envolvendo o pagamento de estranhos alugueis por parte da Prefeitura, que geraram indignação e rebu. Um caso clássico é o aluguel de uma casa no bairro Loanda, que "consumiu" R$4.300,00 mensais por dois anos para abrigar a sede do Samu, mas que abrigou, de fato, morcegos e baratas, porque, como é público e notório, o Samu passou longe.
Parece que o atual governo municipal ainda não aprendeu uma simples questão: o povo está atento, muito atento. Além de saturado e de saco cheio.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia