Editorial
22 de fevereiro de 2019

Fim do Eldorado?

A repentina paralisação das atividades da Mina de Brucutu, da Vale, traz um prejuízo enorme para São Gonçalo do Rio Abaixo. O impacto total ainda não foi mensurado, mas já tira R$7,5 milhões por mês da cidade vizinha. Sem a mineração, responsável por 95% da receita do município, a cidade perde diariamente R$250 mil. Os valores são oriundos do pagamento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) e impostos.
Os municípios mineradores se acostumaram a receber as cifras milionárias ao longo de décadas e que, agora, foram suspensas. Seria o fim do “Eldorado”? Em nome da segurança e da vida das pessoas, o Ministério Público recomendou a suspensão das atividades minerárias, atingindo em cheio os cofres públicos municipais. Afinal, o pesadelo que a Vale causou em Brumadinho e Mariana, não pode se repetir em lugar nenhum. Nunca mais.
O pagamento da Cfem é usado em prol da população. Sem ela, as cidades deixam de oferecer mais qualidade de vida para as pessoas atingidas diariamente pelos impactos da mineração. O estado de Minas Gerais carrega no nome as riquezas incontáveis de seus recursos e a vocação para lidar com eles. Não é possível viver sem a mineração. Da mesma forma, que não é possível viver sem as compensações pelos prejuízos sem volta, causados por essa dicotômica realidade. Cidades da região já sentem, nos caixas, a suspensão dos serviços. Fora o medo do rompimento de barragens e a destruição implacável. É um impasse ainda longe de ser resolvido.