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PapoAberto
22 de fevereiro de 2019
A sede do povo e a fome do DAE
O Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DAE) mata a sede do povo monlevadense há décadas. É fato e mérito. Mas quem há de matar a fome do DAE?
Em meados de 2016, após quase um ano da transferência do Pronto Atendimento (PA) para o Hospital Margarida, as contas de água do DAE continuavam chegando ao antigo prédio e somaram mais de R$50 mil, já que, durante dez longos meses, a taxa possuía o valor fixo de R$5.300,00. Sendo assim, o prédio do antigo PA, vazio, consumia, segundo o DAE, a mesma quantidade de água de quando centenas de pessoas o frequentavam diariamente.
Na ocasião, a direção da autarquia alegou que o problema era um vazamento, isso mesmo, caro leitor, um vazamento. E que a responsabilidade pelo reparo era da Secretaria Municipal de Obras. Além disso, a informação era de que as contas eram baseadas em uma média mensal de consumo. O vazamento, fiel e eficaz como nenhum outro servidor público, retratava o consumo exato de quando o prédio tinha funcionários e pacientes.
Recentemente, tivemos mais um exemplo da fome do DAE. Seis meses após o fechamento do Centro de Referência em Saúde Bucal (Cresb), situado no bairro José Elói, as contas do seu vizinho, o DAE, continuam chegando e já somam mais de R$1.500,00. A Prefeitura alega que estão sendo realizadas obras no local, porém, o que foi constatado por vereadores e pela imprensa é que nem um tijolo foi assentado no local ou um prego foi batido.
Sendo assim, não é preciso ser nenhum mestre em matemática ou em abastecimento de água para chegar à conclusão de que o DAE cobrou e recebeu quase R$55 mil em contas de água não consumida por usuários. Em tempos de crise anunciada aos quatro ventos e bradada em alto e bom som à exaustão diária em veículo de comunicação radiofônico oficial e institucional, é muito dinheiro para a Prefeitura de João Monlevade jogar fora, mesmo sabendo que, óbvia e teoricamente, o que menos aconteceu foi isso. E o mais importante e grave é que trata-se de dinheiro público. Meu, seu, nosso. O DAE mata a sede do monlevadense há décadas, é fato e mérito. Mas o povo não tem só sede de água. Também tem sede de verdade.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia