Ponto e Vírgula
15 de fevereiro de 2019

Que falta faz a Amepi

A Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Piracicaba já foi a mais importante entidade representativa da região. Com 34 anos a serem completados em setembro de 2019, a associação dos municípios talvez fosse a mais indicada no momento, para dar voz aos 17 municípios que integram o Médio Piracicaba, diante da maior crise financeira da história recente do estado. Dentre esses, os 12 associados.
Sem o repasse de recursos constitucionais, portanto, que são direitos, os municípios amargam um rombo em seus cofres públicos sem precedentes. O momento, mais do que em qualquer outro, requer união. Porém, não foi isso o que a Amepi fez. Pela primeira vez em sua história de associativismo e defesa dos municípios, os prefeitos, simplesmente, foram deixados à míngua pela entidade que os representam.
A Amepi, assim como outras associações regionais do estado, deveria fazer jus aos seus princípios e fazer coro à Associação Mineira dos Municípios (AMM), para cobrar o direito dos municípios. Além disso, não poderia deixar de participar ativamente da Assembleia Legislativa de Minas (ALMG) para que os deputados pressionassem o governador na liberação dos recursos. O governo Zema (Novo) já deve R$1 bilhão às cidades mineiras. O Médio Piracicaba, até hoje, não fez nada para socorrer seus prefeitos. Nem uma reunião para alinhar estratégias e pensamentos foi organizada pela atual gestão da entidade municipalista.
Noutro ponto crítico da atualidade, a Amepi nada diz sobre a tragédia da Vale, em Brumadinho, e os impactos dela na região. A suspenção parcial das atividades da Mina de Brucutu vai repercutir negativamente na economia regional. O rompimento das barragens de Barão de Cocais seria outro desastre, arrasando cidades, além de Barão, São Gonçalo do Rio Abaixo e outras à margem do rio Piracicaba. E a Amepi, nada diz a respeito.
O silêncio da entidade, que (repito) já foi uma das maiores expressões políticas do estado, é assombroso. Não se trata apenas de discurso, mas de congregar os prefeitos em torno dos dois maiores desafios da atualidade: a recuperação econômica frente ao confisco do governador e a união diante de possíveis rompimentos de barragens na região. O drama da lama é real e a Amepi se cala.
Fora isso, há outros debates que perfeitamente poderiam ser liderados pela associação, mas que não têm vez: Fim do minério em Itabira no ano de 2028, cidade que tem o maior PIB da região e que vai perder muito em arrecadação. Combate à dengue, já que há risco de epidemias no Médio Piracicaba. Duplicação da BR-381 e a chegada da Estrada de Ferro que vai implantar um porto seco em Santa Maria de Itabira. Defesa do Meio Ambiente nas cidades e a implantação de uma educação socioambiental com estudantes, são só alguns temas, dentre tantas outras possibilidades. É lamentável que a Amepi tenha se calado. A entidade que já teve o pulso e a coragem de um João Braz Martins Perdigão, de um Germin Loureiro, do Li Guerra e dos mais recentes e arrojados, Carlos Moreira, Nozinho, Fernando Rolla, entre outros grandes gestores, hoje, está reduzida à inercia. Ela perdeu a sua força e a capacidade de ação que contribuiu para a sua edificação, ao longo de três décadas. Que falta faz a Amepi para o debate e a troca de experiências, em prol da coletividade e ajudando os prefeitos e municípios em tão delicado momento. Em 2018, a Amepi realizou apenas três reuniões. Neste ano, nenhuma. A Amepi já foi forte, articulada e atuante. Hoje, é apenas um retrato na parede. Mas como dói...

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação