Interesse Público
15 de fevereiro de 2019

Espiral do Silêncio

O jornalista Luciano Pires, do canal (podcast) Café Brasil, discorreu recentemente sobre a Espiral do Silêncio. E ouvindo-o, lembrei-me de casos que acontecem em nosso cotidiano e que podem ser justificados pela teoria.
Baseada na psicologia social, a teoria do Espiral do Silêncio, criada pela filósofa alemã Elisabeth Noelle-Neumann em 1960, explica como oscilações na opinião pública são criadas, especialmente nos debates tomados pela emoção e por questões morais.
Seguindo esse conceito, podemos considerar que: 1. A maioria das pessoas têm medo de serem socialmente isoladas, por isso, constantemente observamos o comportamento de outras pessoas, para buscar quais opiniões e comportamentos recebem aprovação ou rejeição da opinião pública 2. As pessoas colocam uma pressão social sobre quem expressa opiniões que vão contra a opinião pública e, consequentemente, as pessoas escondem suas opiniões quando sentem que correm o risco de serem isoladas socialmente pela maioria 3. As pessoas que sentem que têm o suporte público, por outro lado, expressam sua opinião claramente e bem alto, enquanto a espiral do silêncio inicia o movimento 4. Quando existe consenso da sociedade sobre determinado tema, a Espiral do Silêncio não é colocada em movimento. São as polêmicas que acionam a espiral 5.Os meios de comunicação de massa podem ter influência decisiva na formação da opinião pública. Se numa discussão controversa a mídia dá suporte a um lado repetidamente, de forma cumulativa e com concordância de forma consonante, esse lado terá muita força na Espiral do Silêncio.
E no dia a dia, vemos isso acontecer naturalmente. Lembram-se das eleições? Quem assumia que votaria em Donald Trump, Romeu Zema e Bolsonaro? E a vitória veio, questionando assim o poder de persuasão da mídia.
Acontece também quando se discute sobre a classe política, muito denegrida pela opinião pública, mas há cidadãos - embora disfarçados - que prezam e respeitam os políticos sem barganhas.
No entanto, Noelle-Neumann apresenta também o indivíduo “duro de espírito”: aquele que não se deixa impactar pelo Clima de Opinião. Neste indivíduo nota-se uma disfunção psicológica, por não ter medo de se tornar socialmente excluído ou faz da "não-concordância" um objetivo pessoal.
Portanto, podemos considerar em nosso cotidiano, ambos os conceitos. Sendo que todos se inserem na Espiral do Silêncio em algum momento da vida, para não ser o chato da turma. Porém, temos os colegas duros de espírito, que cumprem uma função social importante: manter vozes discordantes ativas no meio social.

() Marcos Vinícius Ferreira é monlevadense, administrador público e diretor na Novos Governos Consultoria e Assessoria.