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PontoeVirgula
8 de fevereiro de 2019
Mulheres não são segunda classe
Nesta semana, o Papa Francisco repudiou abusos sexuais cometidos conta as mulheres no mundo. Além disso, pela primeira vez, ele afirmou existirem casos dentro da própria Igreja, cometidos por padres e bispos contra freiras. O Pontífice comprometeu-se em acabar com isso. O Papa também afirmou que a mulher deve assumir um protagonismo maior na igreja.
Com uma visão moderna e restauradora da Igreja Católica, o Papa Francisco aponta caminhos para o fim da violência e pede mais amor ao próximo. Ainda em suas críticas, o líder religioso condenou "os excessos do machismo", que qualifica a mulher como "segunda classe" e ainda denunciou "a instrumentalização e a comercialização do corpo feminino na atual cultura midiática".
Francisco, com o amor típico dos Papas, enche nossos corações de esperança na luta por mais igualdade e respeito entre os gêneros. Ainda mais, em tempos de intolerância, feminicídios e tantas outras violências, sem falar no conservadorismo que tem voltado à tona.
Daqui a exato um mês, no dia 8 de março, será comemorado o Dia Internacional da Mulher. Sem dúvida, uma data importante. Mas sem ação e sem as mudanças necessárias para melhorar a condição da mulher, será apenas mais um dia no calendário. Mulher não foi feita para ser subjugada. Para ser enganada, passada para trás ou usada como ser figurativo, tendo sua vida própria reprimida. Paz sem voz, não é paz, é medo. Isso leva à depressão, à morte e causa feridas incalculáveis. O lugar de todas as mulheres é carregando bandeiras, sendo desdobráveis, como nos ensina Adélia Prado.
Feliz é o homem que respeita e entende o valor da mulher e de todas as suas coisas e “coisinhas”. A mulher é o esteio da família. Sem ela, o lar desmorona. Por isso, rogo a Deus que mantenha a saúde física e emocional das esposas, sejam elas mães ou não. Sem elas, não há nada que fique de pé dentro de casa. Tem homem, que sem a mulher, não sabe nem servir-se para o almoço. E mesmo assim, é incapaz de tratá-la como semelhante.
Por isso, desejo que a mulher seja recompensada por seus esforços, por seus silêncios e sacrifícios em nome do bem comum da família. Que a mulher tenha a forca e a coragem para sempre fazer o que precisa ser feito. Que ela ocupe o seu lugar de direito, que possa ser quem ela quiser ser. Que possa vestir a roupa que escolher e ser respeitada por isso. Que não seja hostilizada como a bela deputada de Santa Catarina foi, por usar um decote maravilhoso. Que todas as mulheres possam dizer não quando não quiserem e que possam gritar, sim, na hora do prazer. Aliás, que o prazer não lhes faltem. Nenhuma mulher merece o desamor. Tenho certeza que o mundo seria bem melhor, se isso fosse verdade.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação