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PontoeVirgula
1 de fevereiro de 2019
Ponto e Vírgula () Interino
A Vale e a privatização de estatais

Após o crime que foi cometido pela VALE em Brumadinho, veio à tona a questão das privatizações ocorridas nos últimos 25 anos no país. É necessário observar que toda moeda tem dois lados. Em toda divergência, existe a versão de um, a versão do outro e depois é que se vê quem está com a razão.
Não sou economista e nem tão pouco entendido no assunto, mas lembro-me muito bem da questão das privatizações. Dou um exemplo das empresas de telefonia, que eram estatais, tínhamos um sistema telefônico obsoleto, tínhamos que comprar a linha telefônica que custava R$3 mil e ainda tínhamos que esperar pelos famosos "planos de expansão" para adquirir uma linha, etc. Após a privatização, é inegável afirmar que o crescimento foi vertiginoso.
Então, quando se fala em privatizações feitas há mais de 20 anos e se fala que a empresa tal foi vendida na época por X e hoje vale Y, tem que se avaliar vários fatores como: qual era o tamanho da empresa quando foi vendida (usinas, patrimônio, funcionários, equipamentos, etc) e hoje? Qual era o preço dos produtos dela na época e quais são os preços hoje?
Na realidade, estamos comprovando agora, com a operação Lava Jato, a corrupção, a má gestão, o apadrinhamento político, o porquê que, às vezes, uma empresa estatal após ser privatizada tem um grande crescimento. Acho que cada caso (empresa privatizada) é um caso. É preciso avaliar primeiro e depois falar se foi um bom negócio ou não.
Particularmente, sou radicalmente favorável às penalizações a Vale pelos crimes de Mariana e em Brumadinho. Agora, em função disso dizer que não se deve privatizar uma estatal, já é bem diferente.

() Clésio de Oliveira Gonçalves é diretor do Instituto Solar

Vidas na lama

Três anos e dois meses se passaram da tragédia de Mariana, e o que mudou? Nada, além da história e identidade dos afetados pela tragédia. Famílias sem lar, culpados impunes, vidas se foram e a vegetação sumiu. O total de pessoas que foram punidas? Zero
No dia 25 de janeiro, a história se repete. Barragens em Brumadinho romperam-se. O presidente da Vale disse que: “A tragédia humana deve ser muito maior do que a ocorrida em Mariana.” A história vai se repetir entre as famílias, as vidas que se vão e a impunidade.
Quando ocorrem fenômenos naturais que são superiores aos humanos (furacões, tsunamis, etc) é algo que nos choca, mas é a natureza (provocada por nós, diga-se). Agora, quando o ser humano é o principal culpado por uma tragédia acontecer é o cúmulo do absurdo. A mesma história se repete, parece até um pesadelo que volta depois de três anos. A certeza é que para vislumbrarmos um bom sonho é necessário acordar para a realidade

() Luciano Mendes Vidal é monlevadense e estudante de Jornalismo