Editorial
1 de fevereiro de 2019

Ninguém está salvo

Nenhuma barragem em cidades da região do Médio Piracicaba está nos planos da Vale de ser fechada. Isso significa, por um lado, que os barramentos não oferecem riscos iminentes. Por outro, ficamos à mercê do imponderável: afinal, existe alguma barragem segura? A resposta é não, segundo especialistas.
Itabira, por exemplo, possui 500 milhões de metros cúbicos de rejeito. Se apenas uma barragem das grandes romper, acaba com a cidade. São Gonçalo do Rio Abaixo também possui três barragens da gigantesca Mina de Brucutu. De acordo com a Feam, duas delas não têm garantia de estabilidade. A pequena cidade sumiria do mapa, em caso de uma tragédia.
Enquanto isso, os prefeitos das duas cidades se reúnem com outros chefes do Executivo, preocupados com a queda nos royalties, após o anúncio do fechamento de minas da Vale. Não seria o momento de questionar, exigir e cobrar por mais segurança? A economia das cidades está na pauta, diante de um estado quebrado e que não repasse recursos constitucionais aos municípios. No entanto, nada pode substituir a vida humana e a segurança dos cidadãos.
Desastres como os de Mariana e Brumadinho não são para ser esquecidos e deveriam servir para mudar a forma dos municípios se relacionarem com as mineradoras. Com mais de uma centena de mortos e quase 300 desaparecidos. É um filme de terror, sem o filme, produzido por ganância, corrupção e insensatez humana.