Desde 1984
PapoAberto
25 de janeiro de 2019
Carlos Kaiser fez escola
Dias atrás, em conversa descontraída, ouvi o curioso caso do ex-jogador de futebol de araque Carlos Kaiser, que, com bastante lábia e malandragem, vestiu camisas como as do Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense, Bangu, América-RJ, Palmeiras e de outros clubes do Brasil nas décadas de 1980 e 1990.
O famoso picareta, em tempos distantes, se apresentava em clubes com referências importantes da área, que eram seus amigos, treinava e, como era carismático e bom de papo, conseguia uma vaguinha nas equipes, mesmo que temporária. Kaiser se aproveitava da falta de informação da época e sempre que algum de seus amigos famosos era contratado por um clube, ele era levado como contrapeso para fazer parte do elenco. Teve como amigos os ex-jogadores Renato Gaúcho, Ricardo Rocha, Edmundo, Romário e outros, que confirmaram os fatos para a imprensa carioca. Para fugir das pressões de comissões técnicas e torcedores, sempre simulava contusões.
Bom, cito o personagem acima para ilustrar que, após tantos anos, não é que ainda temos em nossa João Monlevade discípulos eficazes do personagem Carlos Kaiser? Podemos identificar em nossos meios muitos "kaisers", que com bastante lábia, cara de pau e muito pouco conteúdo, tentam ocupar seus espaços a todo custo, mesmo que seja apenas através da pura e latente bajulação àqueles que lhes podem render dividendos e à troco de muita, mas muita conversa fiada.
Como rede social e papel aceitam tudo, assistimos a proliferação de sujeitos que, de forma concreta e objetiva, nada fizeram ou fazem para vestir os atributos aos quais se enquadram, de "aceçores" de todos e "expesialistas" em tudo, "experts" em áreas que julgam dominar, mas que nunca mostraram a que vieram e só reproduzem o que leram em suas estantes de literatura barata e fajuta de auto ajuda. E o pior é que ainda tem gente inocente que cai.
Nos mundos da comunicação e da política, então, dois universos dos quais, infelizmente, se aceita de tudo, os "carlos kaisers" da atualidade proliferam mais que os famosos Gremlins do cinema.
Haja paciência

Ética jornalística

Em tempos bicudos em que sentimos profundamente a sua falta, vou falar sobre ética jornalística amanhã, na Câmara Municipal de Nova Era. Tive o prazer e a honra de ser convidado para ministrar uma palestra sobre Ética e Responsabilidade no Jornalismo no município vizinho, às 10h. Fica o convite a todos.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia