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PontoeVirgula
18 de janeiro de 2019
Como será o amanhã?
Por bem, ou por mal, daqui há um ano tem início o processo eleitoral de 2020. Isso, se ninguém lançar seu nome antes como pré-candidato a prefeito (a) de João Monlevade. Digo janeiro, apenas como referência para quem quer entrar na disputa. Porque a escolha de candidatos já começou. Claro, que candidato mesmo, somente após o registro, em julho do ano que vem. E até lá, muita coisa acontece ainda.
No entanto, senhores políticos e demais aspirantes a cargos públicos, o fortalecimento dos seus nomes para serem lembrados e porque não, aclamados, começa já. Alguns já entenderam isso e outros, ou fingem-se de mortos, ou não estão atentos o suficiente para o processo. Tem gente que quer, mas não quer muito. E tem outros que, de tanto querer, acabam queimando munição demais fora da hora.
Política se vence com estratégia, com pensamento organizado e muito mais com a emoção do que a opinião pública. O cenário mudou, eu sei. As redes sociais, poderosos mecanismos de interação e comunicação, também vieram para ficar e fazem toda a diferença. Quem não entendeu isso ainda e acha que basta postar fotos, pequenos vídeos e textos de autoelogio, não sabe absolutamente nada desse novo modelo de postura na internet.
Bolsonaro foi eleito pelo antipetismo e por sua postura nas redes sociais, muito antes das eleições aconteceram. Se elas foram determinantes para a eleição presidencial, o que não fariam com a eleição municipal em João Monlevade? Mas é preciso sobretudo saber manuseá-las, porque não adianta, para usar a linguagem bolsonarista, armar quem não sabe dar tiro.
Mas voltando ao cenário local, um fato recente chamou minha atenção. A paralisação do Sevor foi o episódio que mais movimentou a opinião pública, desde a cassação em primeira instância da prefeita Simone Carvalho (PSDB), ainda em 2017. E os que souberam tirar proveito político disso foram o vereador Guilherme Nasser e o deputado Tito Torres (ambos do PSDB). Tito, por questões óbvias. Único deputado da região, cumpriu bem o seu papel, entrou em contato com o novo governo (mesmo sendo tecnicamente de oposição) e com o comando dos bombeiros e articulou, em dois dias, uma reunião que o Sevor nunca teve em vinte anos.
Nasser, que tem adotado um discurso mais crítico que conciliador sobre o atual governo, saiu na frente com maestria e foi o político local que mais se destacou no episódio. A prefeita, que ocupa o principal cargo político do município, e nem sua assessoria atinaram para salvar o maior grupo de resgate de Minas Gerais, contentando-se em parabenizar o deputado tucano. Esperava-se bem mais da chefe do Executivo.
Falando em Sevor, não será de admirar se algum membro da entidade sair candidato a vereador ou, até mesmo, a prefeito nas próximas eleições. Isso, porque os socorristas reúnem todas as entidades, os olhares e os interesses públicos do município. A dificuldade, no entanto, será beneficiar-se da imagem do Sevor, sem manchar o grupo, que é apolítico acima de tudo. Leva a melhor quem souber dosar isso aí.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação