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Editorial
18 de janeiro de 2019
Pátria armada?
Nesta semana, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), assinou decreto em que facilita a posse de armas no Brasil, país recordista mundial em homicídios e, em 2017, líder absoluto em mortes violentas, com quase 70 mil casos.
A assinatura do decreto presidencial, que estabelece que cidadãos maiores de 25 anos de idade poderão ter a posse de até quatro armas de fogo, devidamente registradas e com o cumprimento de requisitos, foi um dos assuntos mais comentados da semana e manchete de 9 em cada 10 jornais de circulação nacional. Além disso, gerou grande repercussão em artigos na imprensa e pelas redes sociais, com opiniões contrárias e a favor da iniciativa.
A pergunta que não quer calar é a seguinte: "O decreto irá proteger o cidadão ou aumentar ainda mais a violência no país, ao aumentar a circulação de armas de fogo?". Trazendo para nossa região, a pergunta também é muito válida, pois, na última semana, crimes envolvendo armas de fogo não faltaram. Como exemplo, tivemos um jovem baleado à queima-roupa em Itabira, que recebeu três tiros de um homem que, segundo testemunhas, conversava normalmente com ele na porta de sua casa. Claro, os crimes, em sua maioria, são praticados por bandidos, mas quem garante que as armas adquiridas legalmente por gente de bem não vão parar nas mãos de criminosos, os deixando ainda mais perigosos? O tema é complexo e merece a reflexão de todos.