Ponto e Vírgula
4 de janeiro de 2019

Sevor: Patrimônio que salva vidas

O Sevor não pode parar. O grupo de voluntários que dedica tempo e atenção à missão de salvar vidas há quase vinte anos em João Monlevade e região é um dos nossos patrimônios. Não apenas moral e ético, mas um exemplo de altruísmo e dedicação ao bem do próximo.
A lei do governo de Minas, é fato, vem para regulamentar a atuação dos grupos de resgate, exigindo a participação efetiva de profissionais da saúde, a partir do cumprimento de exigências, que dificultam a atuação dos voluntários. É preciso cumprir a legislação. E isso, sem nenhum desabono aos bombeiros civis e aos socorristas que não são da área de saúde. Afinal, quantos grupos de resgate existem e que não atendem a requisitos mínimos para a qualidade dos seus atendimentos? A lei é fria e serve para todos.
Porém, o Sevor possui 80 voluntários, 12 técnicos em enfermagem e 2 médicos devidamente registrados no Conselho Regional de Medicina, conforme determina a lei. Além disso, o grupo de voluntários cumpre extenso e rigoroso padrão de treinamento e capacitação, entre 250 e 300 horas de cursos de atendimentos diversos. E o que atesta o nível da qualidade dos serviços prestados é que desde os anos 2000, quando foi criado, nunca houve questionamentos de condutas nos mais de 23 mil salvamentos realizados. Isso, de forma alguma, deve ser desprezado.
É preciso chegar a um consenso e estabelecer medidas que garantam o funcionamento do Sevor em João Monlevade e região, que não podem ficar desguarnecidas dos serviços que já se tornaram indissociáveis da qualidade de vida da população. Com todo o respeito ao Corpo de Bombeiros (que está distante de Monlevade a pelo menos 30 km), o Sevor é a segurança diante de um estado falho. Aliás, há 20 anos, o grupo foi criado justamente diante da falta de apoio desse mesmo estado, que, entre outros, não dá a mínima para as vítimas de acidentes de trânsito. Sobretudo, numa das rodovias mais perigosas do país, a temida BR-381, no trecho que percorre o Médio Piracicaba.
O Sevor, pede socorro de toda a sociedade para se unir no propósito de evitar o seu fim. Não há quem seja contra os trabalhos deles. Os heroicos voluntários, que construíram a história da entidade com muita seriedade e amor ao próximo, defendem a continuidade dos salvamentos. Eles entendem que a sociedade é vítima do descaso com a saúde. Sem o Sevor, muitas famílias já estariam incompletas, despedaçadas por tragédias. Quantos abraços e reencontros o Sevor já proporcionou? Quantas vidas continuaram só porque os voluntários chegaram a tempo e fizeram o que tinha que ser feito? E quantas lágrimas eles também derramaram diante da impossibilidade de evitar o inevitável? Isso não tem preço e não há lei que possa apagar esses méritos. Ao Sevor, todo o reconhecimento. E que eles possam seguir com sua nobre missão de salvar vidas.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação