Editorial
14 de dezembro de 2018

Um dia após o outro

O maior líder do PT no Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está preso em Curitiba, acusado de ser beneficiado por esquema de corrupção. O partido se queimou nas eleições deste ano. Em Minas, o atual governador Fernando Pimentel sequer chegou ao segundo turno e vai deixar o comando do estado com déficit bilionário e prejuízos nunca antes vistos para os 853 municípios mineiros. É a derrocada do partido no estado e que, certamente, trará reflexos nas eleições municipais de 2020, caso não haja uma reinvenção da legenda.
Por outro lado, um dos maiores articuladores do PSDB no Brasil e forte opositor do PT, o senador e hoje deputado federal eleito, Aécio Neves, é alvo de operação da Polícia Federal (PF). Ele é investigado por ter recebido propina de R$130 milhões da JBS para comprar apoio político nas eleições presidenciais de 2014. Em troca disso, segundo as investigações, Aécio prometeu favorecimento no governo federal, caso eleito, e interveio junto ao então governador, Antônio Anastasia, para viabilizar restituição de R$24 milhões em créditos de ICMS para a J&F, controladora da JBS.
É o mais puro reflexo da máxima “um dia após o outro” que não deixa nada escondido. Se por um lado, Aécio apontou dedos contra o PT, a quem chamou de “facção criminosa”, hoje, ele é quem é apontado como líder de organização para o crime. Diante disso, tanto o PT, quanto o PSDB de João Monlevade, atualmente no comando do município e que sempre foi correligionário de Aécio Neves, precisam melhorar e muito os seus discursos, posturas e propostas, se quiserem colher bons frutos nas eleições municipais. Caso contrário, abrem uma avenida para novos nomes, partidos e alianças políticas que podem ser construídas, a partir do desgaste de seus maiores ícones. Se bem que, como dizem, a política é como nuvens e que, por isso, nela, não há verdade que dure 24h. Muita coisa ainda pode acontecer...