Ponto e Vírgula
7 de dezembro de 2018

Câmara precisa ser coesa

Passadas as eleições para a escolha da Mesa Diretora que vai conduzir os trabalhos do Legislativo Municipal pelos próximos dois anos, os vereadores de João Monlevade, agora, precisam respirar, reparar as arestas e seguir em frente. O que se viu e se ouviu durante as articulações para definir quem comandaria a Câmara Municipal foi o retrato de uma disputa do poder pelo poder.
Pela primeira vez, em duas décadas, quando Djalma Bastos (PSD) foi eleito presidente em 1998, o clima de “nós contra eles” no Legislativo tomou conta dos debates. Nos bastidores, a situação ficou tensa e chegou ao plenário, onde são tomadas algumas das decisões mais importantes do município.
Claro que é do jogo político a luta por interesses. Mas o embate de ideias contrárias deve ser respeitado em todas as instâncias. O que não pode acontecer é o debate de baixo nível, sem respeitar a posição e a escolha de cada um. A democracia é feita de contrastes e, sobretudo, quem foi eleito para um cargo eletivo deveria saber disso melhor que ninguém e dar o exemplo.
A Câmara Municipal é formada por 15 vereadores. E o racha entre um grupo de 6 ou 7 parlamentares e os demais não é saudável para o sucesso dos trabalhos. A Câmara precisa ser coesa e os vereadores precisam entender que, só assim, poderão conquistar a independência que tanto falam e defendem. Não é com conchavos escusos, acusações de traição e de supostos beneficiamentos que os legisladores vão conseguir mostrar a que vieram. O momento é dos vereadores sentarem e reconstruírem seus relacionamentos, inclusive, para se fortalecerem para questionar, cobrar e fiscalizar o Executivo.
Enquanto houver uma disputa interna, apenas do poder pelo poder, da vaidade e do jogo de interesses, a população fica prejudicada porque alguns parlamentares dispensam muito tempo e energia para atacar e tramar contra os colegas. Só que, talvez, os vereadores não saibam que os eleitores adoram falar mal de político. Mas detestam político que fala mal de político. Se continuarem perdendo tempo na tribuna com discursos raivosos e atacando uns aos outros, os vereadores vão caminhar na direção contrária do que se espera de um parlamentar.
Outra questão é valorizar mais seus mandatos e terem a plena noção da importância de seus cargos, de serem os representantes do povo. Demonstrarem mais personalidade e independência e não se sujeitarem a firmar compromissos com quem só busca benefícios próprios, mas não tem o mínimo poder de articulação e credibilidade.
O povo está de olho e, agora, além dos jornais, acompanha tudo o que se passa nas reuniões através da internet com a transmissão online dos encontros. Depois, se forem rejeitados nas urnas, não adianta chorar pelo leite derramado. Legislativo forte é aquele rico em debates em busca do bem comum e não na defesa rasteira de interesses próprios. Ainda dá tempo de melhorar. O que passou, passou.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação