Ponto e Vírgula
23 de novembro de 2018

Recicle

Nesta semana, uma baleia da espécie cachalote foi encontrada morta em um parque da Indonésia. Ela trazia, em seu estômago, surpreendentes 6 quilos de plástico. Entre chinelos, copos, sacolas e garrafas, mais de 1.000 fragmentos foram retirados do animal. A descoberta causou revolta entre os ambientalistas.
No Brasil, a luta em favor do meio ambiente começou com a redução do consumo de canudos plásticos na cidade do Rio de Janeiro. A medida será tomada a partir de 2019, em Santos (SP). Bares, hotéis e restaurantes ficam proibidos de fornecer os canudinhos aos clientes.
Não dá para não pensar em reciclagem. João Monlevade é uma das poucas cidades integrantes do Consórcio Público de Gestão dos Resíduos Sólidos (CPGRS) e que possui sistema de coleta seletiva. Apesar de atender a apenas 16, dos 71 bairros da cidade, o que representa pouco mais de 20% do município, a iniciativa da Associação dos Trabalhadores da Limpeza e Materiais Recicláveis (Atlimarjom) é fundamental para manter em atividade o aterro sanitário. E não é só isso: trata-se de economia, de consciência e oportunidade de cada família tornar-se protagonista ambiental da cidade em que se vive.
E o que é melhor, é muito simples reciclar. E não custa nada fazer a parte que nos cabe. Primeiro, basta observar o dia da semana em que a coleta passa. Depois, é preciso separar o lixo orgânico (restos de comida e descartes sanitários) de todo o resto, o lixo seco: embalagens, plásticos, latas, metais. E, no dia adequado, deixar na porta de casa, pela manhã, que o caminhão da Atlimarjom passa. Faça chuva, sol, seja feriado ou não.
Para facilitar, coloque duas lixeiras em casa. Uma para cada tipo de resíduo. Você logo vai se acostumar a separar aquilo que pode ser reaproveitado do que vai virar matéria orgânica. Ensine e peça seus filhos a te ajudar. Crianças adoram ser envolvidas em ações para o bem e o melhor: serão eternas vigilantes do destino correto do material.
Sabe por que vale a pena? Por que em João Monlevade, são 25 famílias que sobrevivem do recolhimento do material que, se não for separado, vai parar erroneamente no aterro sanitário. Lamento que a associação não tenha capacidade para atender a uma demanda ainda maior, compreendendo mais bairros. Precisariam, para tanto, de um galpão maior, de mais um caminhão e, claro, de mais associados.
O poder público, através das Secretarias de Meio Ambiente e Planejamento, oferece suporte para as ações da entidade. Mas é preciso mais que isso. O principal, sem dúvida, é o envolvimento e a cooperação da população. Isso é um compromisso de todos nós. Recicle suas ideias, seu hábitos e os de sua família. O meio ambiente agradece a sua iniciativa.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação