Papo Aberto
23 de novembro de 2018

Uma prefeita para chamar de nossa

Fiquei feliz ao ler a entrevista da prefeita de João Monlevade na edição passada do jornal A Notícia. E o motivo da minha satisfação é que na conversa, exclusiva e muito bem conduzida, Simone Carvalho afirmou, categoricamente, que é ela quem manda na Prefeitura e toma as decisões na administração municipal.
Não sei você, leitor, mas isso era o que eu esperava ouvir da chefe do Executivo há quase dois anos, ou mesmo antes, desde o anúncio de sua candidatura, em 2016, ao apresentar seus planos futuros.
Fico feliz porque mostra, ou pelo menos tenta mostrar, depois de tanto tempo, o que a população esperava: o posicionamento da prefeita diante do que chama mais a atenção em seu governo insosso, que é a máxima de que, quem manda, de fato, é seu marido e ex-político.
É claro que ninguém acredita na sentença da prefeita, que foi aplaudida apenas por sua meia dúzia de puxa-sacos de plantão. E sabem porque? Porque se realmente fosse Simone quem mandasse, talvez não estaríamos assistindo a tanta falta de gestão e planejamento. Talvez não faltasse suplemento alimentar para a população carente, mesmo com a legislação permitindo que se disponibilize R$17 mil sem licitação para emergências. Talvez o posto de saúde do bairro Cidade Nova, anunciado há três anos, já estaria funcionando. Ou mesmo, não estariam sendo distribuídas polpudas gratificações salariais sem meritocracia ou a título de "cala-bocas". Acredito que se fosse mesmo a prefeita Simone a mandar, obras não demorariam tanto para serem entregues, de forma misteriosa, como as executadas na rua Nove, no bairro Sion. Esses, apenas alguns exemplos lembrados por minha memória fraca.
Assistindo a tanta propaganda enganosa, populismo e uso do poder em benefício próprio, tenho a plena certeza de que não é Simone quem manda. Ela que me desculpe.
A minha humilde opinião sobre Simone, por menos que isso lhe importe, claro, é que trata-se de pessoa de bem, de boa índole e princípios, agradável, mas que, infelizmente, está inserida como peça em um meio movido por interesses maiores que sua boa vontade. Se pudesse lhe dar um conselho e ela o quisesse, lhe diria para agarrar-se às pessoas de bem e de competência que ainda lhe cercam (elas ainda existem) e tomasse cuidado com os oportunistas.
A Simone prefeita seria ótima, se existisse por si só. Pois a pessoa, a mãe, a profissional competente e a cidadã o é. João Monlevade quer uma Simone sendo ela mesma para chamar de prefeita Uma prefeita para chamar de nossa. Se acordar a tempo, sua passagem pelo Executivo deixa apenas de ser um quadro bonito na parede e um registro histórico, de primeira mulher a governar a cidade. O que é muito. Mas o povo quer e precisa de mais. O povo quer uma prefeita para falar que é dele.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia