Editorial
23 de novembro de 2018

Gestão nada fácil

Não é nada fácil administrar uma cidade com um rombo de R$20 milhões. Comparando o incomparável, é como se o cidadão, de um mês para outro, deixasse de receber R$200, R$300 do seu salário. Num primeiro momento, ele poderia equilibrar as despesas, enxugando um gasto aqui outro ali. Sempre confiando que, no mês seguinte, a situação ia melhorar. Depois de um tempo, dificilmente, ele conseguirá deixar as contas em dia, acertar seus débitos. Em pouco tempo, certamente, estaria atolado em dívidas e sem saber como quitá-las.
Grosso modo, é essa a situação dos 853 municípios mineiros, após sequestro de recursos milionários por parte do governo do estado. Sem a verba, prefeitos de várias regiões e até Décio Dentista (PV) da vizinha Barão de Cocais, apelaram e acamparam na porta da Assembleia Legislativa nesta semana. O ato desesperado acontece na mesma semana em que a Associação Mineira de Municípios (AMM) entrega pedido de intervenção federal ao presidente da República. Lamentável.
João Monlevade ainda é uma das poucas cidades a manter suas contas em dia. Fruto da boa gestão econômica da prefeita Simone Carvalho. Apesar do governo não confirmar, a Prefeitura teria em caixa R$9 milhões economizados ao longo dos primeiros 24 meses de governo. Sem eles, a cidade já estaria no fundo do poço. Ainda segundo informações extraoficiais, se o governo mineiro estivesse em dia com os repassses, João Monlevade teria, hoje, cerca de R$30 milhões a mais em seu orçamento, que poderiam ser aplicados em realizações diversas.
Porém, a “gordura” não deve durar muito, o que complicaria com atrasos de pagamentos e salários. É torcer para que a situação melhore para que o monlevadense não sinta os reflexos do arrocho.