Interesse Público
16 de novembro de 2018

Mudanças na Educação

No início desse mês, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as novas diretrizes curriculares do Ensino Médio. Uma das principais novidades, foi a inclusão de até 20% da modalidade Educação a Distância (EaD), chegando a 30% no Ensino Médio noturno. Essa é uma nova modalidade de ensino que os professores e alunos poderão utilizar por meio da internet.
A mudança permitirá que os 7,93 milhões de alunos que estão no ensino médio tenham mais facilidade e interesse pelos conteúdos que serão ensinados de forma dinâmica, prática e flexível. Todo o aprendizado repassado aos alunos por meio da EaD poderá complementar e aprofundar os conteúdos de sala de aula, ampliando as possibilidades de acesso a cultura, ao conhecimento, ao lazer, a cidadania e principalmente a autonomia, que é considerado o maior desafio que as escolas enfrentam.
A inserção dos jovens no Ensino a Distância não será difícil, pois 82% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já são usuários da internet. Só em nossa região, Sudeste, 91% acessam a rede, de acordo com a pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Porém, é necessário investir nas escolas e nos treinamentos para os professores terem condições de formular conteúdos interativos e adequados às ferramentas online. Além de disso, o Ministério da Educação terá de criar mecanismos de fiscalização e controle dessa política por meio de indicadores, para acompanhar e nivelar a qualidade entre as escolas.
Os críticos à proposta avaliam que a EaD prejudicará a qualidade educacional, a convivência entre os alunos e, consequentemente, o desenvolvimento de valores essenciais como respeito a divergência e solidariedade. Porém, vale reforçar que o ensino em sala de aula, as interações e o convívio em grupo permanecerão.
Estamos atrasados na reformulação e implementação de novas políticas educacionais, não podemos deixar as escolas estagnadas a uma única concepção de ensino, em um mundo com alta tecnologia. Teremos dificuldades e enfrentaremos resistências para implementarmos novas políticas, como a EaD no Ensino Médio, porém teremos soluções para problemas frequentes das salas de aula e mais incentivo para a aprendizagem.
O Ensino Superior já conta com mais de 1 milhão de alunos nessa modalidade, segundo dados do Ministério da Educação, e a tendência é crescer nos próximos dois anos. Diversas faculdades já oferecem cursos e disciplinas online desde 2006. Esses dados comprovam a necessidade de prepararmos os jovens do Ensino Médio para essa modalidade, criando experiência, autonomia, disciplina e organização para que o aprendizado seja efetivo no Ensino Superior.

() Marcos Vinícius Cotta Ferreira é monlevadense, formado em Administração Pública e consultor na empresa Novos Governos.