Ponto e Vírgula
1 de novembro de 2018

Política tem dessas coisas

A vitória de Romeu Zema (Novo) ao governo do estado traz todos os olhos do país para Minas. Zema é o termômetro para as propostas do seu partido e o que ele representa: Se der certo, será a vitória das propostas novas e a confirmação de que é possível administrar a máquina pública da mesma forma que se administra o setor privado. Além disso, dando certo, Zema sepulta a política de grupo, tão comum no país, inclusive, em João Monlevade. Consequentemente, ele enterra também, consolidando como velhas e ultrapassadas, as práticas tão comuns ao PSDB e ao PT, partidos que o eleitorado mineiro rechaçou nas urnas nos dois turnos eleitorais deste ano. Agora, se o governo dele der errado, é prova de que na política, “o novo já nasce velho”, como naquela canção d’ORappa.
É tudo ou nada para Zema e para o novo jeito de fazer política. Claro que, sabendo dessa situação, a cúpula do seu partido, criado há cerca de três anos por empresários e profissionais liberais, não vão deixar o governo e a chance de mostrar a que vieram irem embora pelo cano. Se o fizerem, é porque não houve preparo suficiente para se meterem em política, que não é para amadores.
Agora, em caso de sucesso nos dois primeiros anos, as eleições municipais de 2020 serão bem diferentes. Animados pela “onda zema”, outros nomes que não compõem grupos políticos podem despontar, com crédito para vencer a disputa municipal. Nesse caso, a política praticada pelo grupo da prefeita Simone Carvalho (PSDB) precisaria, mais do que nunca, se oxigenar se quiser continuar no poder. Será preciso traçar ações de marketing mais modernas, aproximar-se da população e deslocar-se do pesado partido, além de se ajustar aos novos tempos.
Enquanto isso não acontece, a prefeita já sinaliza uma aproximação com o governo Zema, ao qual ela chamou de natural. Sem escolhas, Monlevade não aguenta mais dois anos de arrocho e de sequestro de recursos por parte do governo do estado. Se isso permanecer, os dois últimos anos da gestão Simone serão tristes, para não dizer trágicos. Então, é melhor a prefeita, religiosa que é, rezar muito para que os repasses aos municípios voltem à normalidade.
Conforme apurado, o governo municipal tem cerca de R$9 milhões em caixa, “gordura” que já está sendo queimada para enfrentar o confisco do governador Fernando Pimentel (PT). Mas se o arrocho continuar, a administração já admite usar as reservas do 13º dos servidores para pagar outras despesas, como o Rota Escolar e os repasses para o Hospital Margarida. Como consequência, Simone e seu grupo, contraditoriamente, precisam torcer para o governo Zema dar certo. Afinal, se isso ocorrer, eles estarão torcendo para o fim das “velhas” políticas tão praticadas por eles mesmos e terão que aceitar que “o novo sempre vem”, como na canção de Belchior, imortalizada por Elis. A política tem dessas coisas.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação