Interesse Público
1 de novembro de 2018

Como será o novo Governo de Minas?

Romeu Zema é administrador, natural de Araxá e ex-presidente do Grupo Zema, que possui 430 lojas e mais 360 postos de combustíveis pelo Estado. Agora, com 6.963.806 votos é o novo governador de Minas, que tomará posse em janeiro e terá sob sua responsabilidade um Estado endividado, salários atrasados e com demandas crescentes na saúde, educação, assistência social e demais áreas.
Temos um Estado enorme: 21 secretarias, 15 autarquias, 13 conselhos estaduais, 16 empresas públicas, 12 fundações e 8 órgãos autônomos. O Governo atual aparelhou o estado, não aplicou um modelo de gestão eficiente e as consequências são drásticas. No ano passado, a arrecadação do Estado foi R$ 57 bilhões, enquanto a folha de pagamentos somou R$ 49,9 bilhões. Esse é apenas um exemplo da complexidade, em que temos 87,5% da receita tributária comprometida com pagamento de servidores.
Para reverter isso, o novo governo terá que lutar com medidas totalmente impopulares e que vão na contramão do jogo político, o que pode dificultar a governabilidade.
Mas, pela expressiva votação que o Zema teve, comprova-se que os mineiros acreditam que a gestão dele será capaz de equilibrar as contas e melhorar os indicadores do Estado. Para isso, diversos fatores influenciam: 1. Os poderes legislativos e judiciário têm de colaborar e caminharem juntos com o governador, renunciando aos reajustes e privilégios 2. As classes e representantes sindicais terão de deixar o corporativismo de lado e defender as reformas impopulares 3. Os deputados têm de compreender e unir esforços para aprovarem os Projetos de Lei propondo cortes de cargos, redução da estrutura do Estado e reformas econômicas 4. O Governador tem de encontrar nomes qualificados para assumir as secretarias, sujeitando aos salários extremamente baixos para as responsabilidades que terão. (R$ 10.819,72 bruto e R$ 7.914,90 líquido)
As propostas e o jeito que Romeu Zema se propõe a governar nos permite acreditar e ter esperanças de que o cenário de Minas Gerais vai mudar nos próximos 4 anos. Zema tem carisma, humildade e abertura para o diálogo. Resta saber se as entidades e os demais poderes estão dispostos a colaborar. Muitas dúvidas permanecem, mas serão respondidas ao longo do governo por meio das análises reais da situação do Estado, da definição de prioridades e do planejamento estratégico a ser elaborado.

() Marcos Vinícius Cotta Ferreira é monlevadense, formado em Administração Pública e consultor na empresa Novos Governos.