Ponto e Vírgula
11 de outubro de 2018

Perde a região

Nas eleições deste ano, tive a honra de ser o coordenador de comunicação e marketing político do candidato a deputado federal Fernando Rolla. Desde as primeiras reuniões, ele disse que faria uma campanha enxuta, já que não dispunha de muitos recursos financeiros e que sua aposta era pedir votos apenas na região, já que essa, há vinte anos, não tem um representante no Congresso Nacional.
Acreditei na ideia e enxerguei possibilidades reais de eleição. Simplesmente, porque antes da campanha eleitoral, Fernando Rolla tem um invejável currículo de vida. Com passagens pela vida pública, já que foi prefeito de São Domingos do Prata por dois mandatos, ex-presidente da Amepi, do Cismepi e um defensor nato das causas da região, Fernando coleciona feitos importantes e que poucos políticos possuem.
Não foi difícil achar o tom para a campanha, já que, naturalmente, Fernando é o cara que tem a cara da região. Com a ajuda de importantes parceiros, entre esses, o ex-secretário executivo da Amepi, Eduardo Quaresma e os profissionais Marley Melo e Gustavo Domingues, desenvolvemos um importante trabalho de comunicação e estratégia política. A campanha cresceu com a participação de lideranças e voluntários de diversas cidades da região. Também não se pode tirar o mérito e deixar de dar crédito ao próprio Fernando, que rodou toda a região por mais de uma vez, acompanhado de fiéis escudeiros, visitando entidades, as pessoas e passando de casa em casa, olhando nos olhos dos cidadãos. Apesar de não ter sido eleito, Fernando tornou-se ainda mais conhecido, consolidou-se como o candidato a deputado federal mais votado do Médio Piracicaba e está cotadíssimo para disputar as eleições municipais de 2020. Em hipótese alguma, ele foi derrotado. Quem perdeu foi o Médio Piracicaba.
Um dos principais motivos para a não eleição de Fernando Rolla é a velha prática de pulverizar os votos em candidatos que pouco ou nada têm a ver com a região. Alguns, nunca haviam pisado aqui antes e outros nem pisaram. Mesmo assim, receberam apoio de lideranças que se mobilizaram para elegê-los, alguns sem sucesso. Alguns políticos ainda prometeram quatro, cinco mil votos para candidatos de fora, que não chegaram a ter 1.500 votos na cidade. É o jogo da velha política que vai continuar, enquanto as lideranças não entenderem a importância de termos um representante verdadeiramente comprometido com a nossa região em Brasília.
Um deputado da região pode lutar por mais recursos, garantir emendas para os municípios, defender obras e melhorias para a saúde e educação. Um deputado federal daqui, que compreende bem a nossa realidade, pode ajudar os municípios a se desenvolverem, garantindo também mais voz e vez para a região. Enquanto isso não acontece, quem perde e vai continuar perdendo, é o Médio Piracicaba.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação